À espera das águas - Vitrine Tecnológica DBO

Está tudo pronto para a Fazenda São José, em Bonfim, MG, iniciar o plantio do tifton em 3 hectares de pastos. “Só falta chegar a época das águas.”, diz o veterinário Ernane Campos, que, com o engenheiro agrônomo Breno Araújo, dão assistência técnica à propriedade do produtor José Alexandre. Já a Fazenda da Gurita, em Bom Despacho, MG, de Paulo Gontijo, está em compasso de espera. Até a chegada das águas, as vacas em lactação vão “ficar no cocho, com dieta à base de cana-de-açúcar”, informa o veterinário Vitor Barros, que atua com o engenheiro agrônomo Fábio Corrêa na assistência técnica à fazenda. Todos esses técnicos são do Rehagro, instituição de ensino voltada ao agronegócio que, em parceria com a Mundo do Leite, encampam o projeto Vitrine Tecnológica. Estamos acompanhando, em sete edições, o passo-a-passo dessas propriedades para elevar a produtividade dos rebanhos, reduzindo (no caso da Fazenda São José) a área de pastos ou mantendo (no caso da Fazenda da Gurita) a área de pastos. Tais objetivos serão alcançados administrando melhor o uso de concentrados e aumentado a produção e a qualidade dos volumosos. Clique e confira a primeira reportagem da série.

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Fazenda São José

"O tifton já está pronto para ser transferido para a área de pasto intensivo."

A fazenda São José tem se concentrado na substituição de volumosos antigos e pouco eficientes por outras variedades melhores. Já formou um canteiro de multiplicação de mudas de tifton, explica Ernane Campos. “Este canteiro, de 400m2, já foi ampliado para 0,5 ha”, conta; “Agora, deste meio hectare vamos formar a área de pastejo intensivo de 3 ha.” As mudas já estão no ponto de plantio e, assim que começarem as chuvas, o pasto será instalado sobre uma área de braquiária decumbens degradada e que já passou por análise de solo e correção da acidez e fertilidade.

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“Fizemos correção do solo com calcário, gesso e adubação orgânica com cama de aviários, que é muito rica. Além dos macronutrientes, como nitrogênio, fósforo e potássio, há vários micronutrientes e alto teor de matéria orgânica”, ressalta Campos, destacando ainda que se trata de um insumo geralmente mais barato que o adubo químico.

O objetivo de multiplicar as mudas de tifton na propriedade, conforme relata o veterinário, que é filho do proprietário da São José, é economizar, pois as mudas de tifton não são baratas. “Noventa dias após o plantio do tifton no canteiro menor, pudemos replicá-las para o canteiro maior”, diz Campos, esclarecendo que o replicar mudas dessa gramínea é relativamente simples: “Apenas plantam-se as ramas de tifton em sulcos.”

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Seguindo tudo conforme o planejado, Campos diz que, após a instalação do tifton, nos meses seguintes, será feita a divisão dos pastos em piquetes e os tratos culturais, tanto do tifton – que receberá adubação de cobertura – quando na cana-de-açúcar, que também será cultivada nas águas e deverá receber aplicação de herbicidas, se necessário. A produção das 20 vacas em lactação é de 14 litros/dia/vaca.


Fazenda da Gurita

Na Fazenda da Gurita, o compasso é de espera pelas águas, segundo o veterinário Vitor Barros, do Rehagro. “A alimentação das vacas em lactação está sendo feita com cana-de-açúcar e ração à base de milho, farelo de soja, polpa cítrica, cevada e minerais”, explica. “Somente o gado solteiro está nos pastos, porque sua exigência nutricional é menor”. A manutenção das vacas secas no pasto tem uma utilidade adicional: “Se eu deixasse essas áreas sem nenhum animal, o pasto estaria em uma altura inadequada quando chegarem as chuvas novamente. Então, além de se alimentar, esses animais fazem a manutenção do pasto, mantendo-o na altura ideal para, em novembro e dezembro, iniciarmos o pastejo intensivo”, continua Barros. “Se não fizéssemos isso, teríamos de roçar o pasto, o que representaria mais despesa.”

O compasso é de espera, mas as providências anteriores já foram tomadas para garantir uma adubação adequada nos pastos da Gurita. Em agosto, os técnicos do Rehagro tiraram amostras de solo para serem enviadas para a análise. As análises já ficaram prontas e, em setembro os resultados foram estudados para definir a medida certa da adubação. “É importante pensar nisso: no uso racional da adubação, verificando sempre os indicadores de eficiências das adubações feitas.”

A Gurita optou por não fazer adubação orgânica nas pastagens, embora deposite, no canavial que serve de alimentação às vacas no inverno, todo o esterco recolhido dos rurais. “Nos pastos, vamos usar adubação química”, diz Barros. As gramíneas que serão adubadas serão tifton e mombaça.

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Atualmente, a Gurita tem 230 vacas em lactação, produzindo 5.000 Litros de leite por dia. Num futuro bem próximo, previsto já para o ano que vem, Barros informa que vai aumentar a capacidade de suporte dos pastos e, para isso, os técnicos terão que melhorar a divisão das áreas e readequar a adubação. As metas da Gurita para 2015 são: chegar a um rebanho de 250 vacas em lactação, produzindo 5.000 litros de leite/dia, em 30 hectares de pasto e 18 hectares de cana, além das áreas destinadas a outras categorias animais.

TÂNIA RABELLO

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Reportagens da série: