A importância dos grupos de produção no manejo de propriedades leiteiras. Por Evandro Della Croce
Tão importante quanto a diminuição dos custos, o aumento da produtividade é preocupação de todo pecuarista de leite. Os baixos preços de mercado que, constantemente, acompanham a commodity “leite”, fazem com que estratégias de manejo, nutrição, sanidade e melhoramento genético mereçam especial atenção dentro das propriedades.
Dentre as estratégias de manejo, a divisão dos animais em grupos de produção é prática comum nas fazendas e varia de acordo com o sistema de produção, raças, instalações e quantidade de animais. Devido ao alto preço dos insumos, a alimentação de rebanhos leiteiros tem, na maioria dos casos, a maior participação nos custos de produção.
Os sistemas de alimentação, adotados em fazendas leiteiras, tem o objetivo de fornecer uma correta quantidade de nutrientes para atender as exigências nutricionais dos animais.
Dependendo do sistema de produção adotado, os alimentos podem ser oferecidos individualmente (volumoso/forragem e concentrado) ou por Dieta Total (forragens e concentrado misturados juntos).
Em sistemas individuais, o fornecimento de concentrado deve atender as necessidades nutricionais de cada animal, sem limitar a disponibilidade de tempo para o consumo. O mesmo ocorrerá para o fornecimento de forragens.
No sistema em Grupos, o fornecimento individual de concentrados é muito comum durante a ordenha. Porém, hoje em dia, as vacas estão sendo ordenhadas cada vez mais rapidamente, havendo pouco tempo para que os animais comam todo o concentrado fornecido. Esse sistema gera ansiedade e stress para os animais dentro da sala de ordenha.
A Dieta Total oferece algumas vantagens sobre os métodos convencionais de fornecimento de alimentos (concentrado na sala de ordenha e volumoso no lado de fora), conforme abaixo:
- A mistura não permite que o animal selecione os alimentos.
- Cada bocada contém frações pre-determinadas dos nutrientes essenciais.
- Maior estabilidade do pH ruminal e maior aproveitamento de energia e proteína no retículo-rúmen.
- Permite que se use alimentos menos palatáveis nas dietas devido ao efeito de diluição.
- Menor desperdício na sala de ordenha.
- Maior facilidade de mudança de ingredientes da dieta.
Dentre as desvantagens da Dieta Total, podemos citar o alto custo de equipamentos (misturadores, vagão forrageiro, carregadores), o que inviabiliza sistemas com poucos animais. Além disso, vacas de baixa produção (potencial genético) podem ganhar peso excessivo, devendo ser previamente selecionadas.
A grande maioria das fazendas brasileiras não utiliza o sistema de Dieta Total. Na prática, o uso da Dieta Total é empregado para vencer os problemas relacionados ao consumo de alimentos concentrados e forrageiros fornecidos separadamente. Ao consumir rapidamente o concentrado, há uma redução muito grande do pH ruminal pela rápida produção de ácidos graxos voláteis, desencadeando problemas relacionados com a digestão de fibras, redução no consumo de alimentos e, consequentemente, diminuição da produção animal.
Qualquer que seja o sistema de alimentação adotado, os objetivos devem ser facilitar os processos operacionais e garantir que os animais consumam, com maior precisão, a dieta balanceada que atenda às demandas de mantença e produção do rebanho.
O agrupamento alimentar animal é uma das práticas mais fundamentais para que estes objetivos sejam alcançados. Podemos obter vantagens quando optamos por determinar grupos de produção:
- Fornecer, com maior habilidade e mais precisão, dietas próprias em função do nível de produção dos animais. Animais de alta produção recebem dietas com maior densidade energético-protéica, sendo que animais de menor produção podem receber dieta com maior relação volumoso/concentrado, implicando em diminuição do gasto alimentação.
- Maior uniformidade na produção de leite, facilitando a operação das ordenhas.
- Facilidade na detecção de cio, já que os animais de um lote estarão em estádio reprodutivo bastante semelhante.
Entretanto, algumas dificuldades podem acontecer:
- Muitas propriedades não possuem área e nem estrutura física adequada para o agrupamento alimentar dos animais e construções podem ser onerosas.
- São necessários mais tempo e trabalho para se agrupar os animais.
- Podem ocorrer quedas na produção durante eventuais mudanças de grupos.
- As movimentações de animais podem ocasionar rupturas de ordem social dentro dos grupos.
Existem várias formas de se agrupar animais em função da alimentação, porém todas elas passam por agrupamentos por lote único ou agrupamento em lotes separados. Devemos considerar que a alimentação não deve ser o único critério de divisão dos grupos de produção na fazenda. O estágio reprodutivo do animal também deve ser levado em conta. Para tanto, devemos considerar a heterogeneidade do rebanho, observando, inclusive, a situação das primíparas que necessitam de requisitos nutricionais superiores pelo fato de ainda estarem em crescimento. Estes animais, na medida do possível, devem ser manejados separadamente. Também deve ser levado em conta o DEL (Dias em Lactação) em que se encontram os animais. Isso evita, por exemplo, que animais recém paridos, ainda em balanço energético negativo, sejam penalizados por apresentarem nível de produção não compatível com o grupo em que se encontram. Por fim, o ECC (Escore de Condição Corporal) pode ser também um critério para segregação de animais por grupos: animais com escore baixo devem ser manejados para que rapidamente recuperem sua produção e também fiquem aptos à reprodução.
O Ideagri oferece vários relatórios que possibilitam ao usuário a formar seus grupos de produção. O relatório “Acompanhamento Geral de Matrizes Leiteiras”, por exemplo, oferece importantes informações para auxiliá-lo nesta empreitada:

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Este relatório nos apresenta todos os itens importantes para o agrupamento animal apresentados anteriormente. Podemos visualizar as informações reprodutivas (data do último parto, tipo de parto, data da última IA/cobrição e reprodutor utilizado) e produtivas (picos de lactações anterior e atual, projeção de lactação para 305 dias e produção total da última lactação encerrada, os três últimos controles leiteiros e ECC). O relatório também apresenta qual o grupo atual em que os animais se encontram. Estas informações podem ainda ser mais específicas e exibidas conforme critérios do usuário, através da ferramenta “Mais filtros” contida na tela que precede o relatório. Além destas, outras informações específicas podem ser obtidas utilizando-se o gerador de relatórios personalizados. O usuário perceberá que, definindo-se os grupos de animais na fazenda, as demais rotinas, tais como a exibição de relatórios de diagnóstico reprodutivo, o controle leiteiro e a aplicação de medicamentos, ficarão mais simples e de ainda mais fácil visualização.
Autor: Evandro José Guimarães Della Croce -Zootecnista formado pela FEAD Minas. Especialista com pós-graduação em pecuária de leite do ReHAgro. No IDEAGRI, atua como consultor.