A pecuária não é a vilã do aquecimento, por José de Assis Belisário

Os produtores rurais estão sendo vistos como os grandes responsáveis pelo aquecimento global. Isso, de algum modo, está “demonizando” o setor produtivo. Vários são os pesquisadores contrários a estas afirmações e que saem na defesa da pecuária, inclusive os da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A melhor atitude que o produtor tem a tomar é se informar e buscar conhecimento, pois este é o melhor caminho para desmistificar a imagem negativa do setor.

No ano passado, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), divulgou nota afirmando que os bovinos geram mais gases de efeito estufa do que o setor de transporte. A entidade aponta também que os rebanhos são uma das principais causas para a degradação do solo e dos recursos hídricos. Para ela, a pecuária é responsável por 9% de todo o dióxido de carbono (C02) oriundo de atividades humanas e 65% de óxido nitroso, que tem 296 vezes mais potencial de aquecimento global. A maior parte disso vem do esterco. Também responderia por 37% do metano (23 vezes mais prejudicial que o C02) e 64% do amoníaco, que contribui para a chuva ácida. Vários são os pesquisadores, contrários a essas afirmações e que saem na defesa da pecuária, inclusive os da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que apontam o metano emitido pela pecuária, por exemplo, com uma participação de 0,06% no aquecimento global, ou seja, quase nada. Além dessa comprovação, é registrado cientificamente que 95% do aquecimento global são responsabilidade do vapor de água, enquanto 3,6% cabem ao gás carbônico, e desse total do CO2, 3,5% são provenientes do oceano, da decomposição de matéria.


Segundo a Embrapa, cada bovino emite de 50 a 60 quilos de metano por ano. Entretanto, um estudo da Embrapa Pecuária Sudeste aponta que todo o rebanho nacional não responde nem por 2% de todo o gás emitido pelas atividades humanas. “O dano maior ao ambiente é com relação às queimadas, à devastação de florestas e de áreas agropecuárias”. É preciso entender que o boi não é um elemento isolado no sistema.

O boi emite metano, mas pelo manejo da pastagem é possível sequestrar carbono e minimizar o impacto das emissões. Também, a Embrapa Gado de Corte aponta que, se o gado ingerir alimento de boa qualidade e não caminhar muito atrás de água e comida, se não houver queimadas de pastagens e se o manejo de adubação ou agroflorestal for intensificado, é possível reduzir as emissões de carbono. O uso de simples tecnologias, a exemplo da utilização de cana-de-açúcar picada com um pouco de concentrado na seca reduz a emissão de metano mais do que se o animal ingerisse só capim. A melhor atitude que o produtor tem a tomar é se informar, buscar conhecimento, pois, este é o melhor caminho para desmistificar a imagem negativa do setor.

Fonte: A gazeta online

Texto: José de Assis Belisário, Professor da UVV


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