Céu azul para a pecuária brasileira em 2011, por Silmar Muller

As novas e boas perspectivas para os mercados agrícolas em 2011, particularmente para os grãos, como soja e milho, e para algodão, café e açúcar, se estendem também à pecuária e às carnes em geral.

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Após período de declínio nos últimos três anos, por conta dos reflexos da crise econômico-financeira mundial sobre o consumo, a demanda por carne bovina tende a se estabilizar e encontrará oferta mais apertada no próximo ano, o que oferece novas e excelentes oportunidades para o Brasil, o maior exportador mundial, já patente pela continuada valorização do produto nos últimos meses, com o preço médio da exportação brasileira beirando os 4.200 dólares a tonelada, 17% acima de um ano atrás.

A julgar pelas primeiras projeções para 2011 divulgadas em outubro pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre a oferta e demanda globais, o comércio mundial de carne bovina deve crescer mais de 2% no próximo ano, a partir da ampliação das importações por tradicionais e novos países demandantes. Além disso, também o consumo interno no Brasil deve continuar crescendo na medida em que aumenta a demanda per capita, que superará os 37 quilos/ano, fazendo com que o país suba para o 3º lugar no ranking mundial, ultrapassando pela primeira vez os Estados Unidos. Pela frente, agora, só restarão nossos vizinhos mais carnívoros do Mercosul (Argentina e Uruguai), que devoram 54 quilos per capita/ano.

Com o boi brasileiro já beirando os 100 reais/arroba (ou 60 dólares, o boi mais caro do mundo pelo nosso câmbio sobrevalorizado), devido à falta de gado pronto para abate, é hora de investir na produção, com a vantagem brasileira do boi a pasto, mais rentável no momento, por não depender tanto de rações diante da forte valorização dos preços do milho e do farelo de soja.

De acordo com as projeções do USDA, a produção mundial de carne bovina dependerá em 2011 sobretudo do Brasil e, em menor grau, da Índia. Mesmo assim, a oferta não será suficiente para compensar o declínio esperado para outros países, do que resultará outro ano de suprimentos apertados. A concorrência será pequena. Nos Estados Unidos, o maior produtor mundial, da mesma forma que no Canadá ou Austrália, a perspectiva é de declínio nos rebanhos e na oferta de gado para abate, ao mesmo tempo em que o aumento dos custos da alimentação dos bovinos limitará a recuperação da oferta pela União Européia. A seca na Rússia também elevou os custos da ração e deve contrair a produção do país.

Uma nova constante em termos de concorrência está na Índia, que detém o maior rebanho bovino do mundo e cujas exportações de carne mantêm crescimento sustentado, consolidando o país asiático como o quarto exportador mundial, só superado por Brasil, Austrália e EUA.

Para atender ao forte crescimento tanto do consumo interno (81% do total produzido, o que já torna o país o segundo consumidor mundial) quanto das exportações, o Brasil precisará aumentar sua produção de carne bovina para 9,41 milhões de toneladas em 2011, 3% ou 265 mil toneladas a mais do que o volume estimado para 2010, projeta o organismo do governo americano. É tempo de aproveitar e voltar a lucrar.

As novas demandas exigirão melhoria da qualidade do rebanho e da produção de carne bovina no país, sobretudo em produtividade, tendo em vista as novas limitações ambientais para o crescimento horizontal que surgem a partir do novo Código Ambiental Brasileiro a ser votado no Congresso ainda no final deste ano. Isso exigirá do pecuarista brasileiro maior cuidado com a gestão integrada do seu negócio. Além disso, os desafios sanitários e consequentes barreiras comerciais continuarão implicando limitações de acesso a alguns mercados, o que exige precaução e sistemas de rastreabilidade mais eficientes e confiáveis. As regras do mercado, ademais, passam a ser ditadas cada vez mais pelo consumidor, seja interno ou externo, mais exigente em termos de qualidade e origem, o que implica satisfações de cunho sanitário, social e também ambiental.


Fonte: http://www.atribunamt.com.br

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