Clientes e parceiros do IDEGRI são destaques no Interleite 2016

Clientes e parceiros do IDEAGRI são destaques no Interleite 2016: Owen Williams (Fazenda Capoeira e Kiwi Agropecuária), Bruno Girão (Fazenda Flor da Serra), Maurício Silveira Coelho (Fazenda Santa Luzia), Pedro Nunes (Fazenda Santa Maria do Brejo Alegre) e Fazendas Reunidas ACP (Leopoldo Antônio Pereira). Nossa equipe parabeniza a todos pela importante participação no evento, que teve como tema 'Empreendedorismo e inovação na produção de leite brasileira'. Confira informações sobre as fazendas, nos trechos das palestras ministradas.

 

Clique no link para acessar as informações de cada fazenda/palestra: 


FAZENDA CAPOEIRA E KIWI AGROPECUÁRIA - OWEN WILLIAMS 

Produzir leite com qualidade e lucratividade é uma meta do neozelandês Owen Williams – produtor de leite por mais de 25 anos na Nova Zelândia e produtor há mais de 12 anos no Brasil e Equador. Hoje ele é sócio diretor da Kiwi Pecuária e da Fazenda Capoeira, que compõe o Grupo Kiwi. Ambas estão situadas no Estado de Goiás e contam com investidores no Brasil. Juntas, elas totalizam 27 mil litros de leite/dia. O objetivo do grupo é expandir a produção para 45 mil litros de leite até 2018 e 80 mil litros até 2025 – concomitantemente com a expansão das unidades. 

1Owen Williams – Interleite 2016

O objetivo das fazendas é usar o pasto com umas das fontes de energia, proteína e fibras. “É muito mais barato! As vacas comem diretamente no pasto, evitamos custos com máquinas e o esterco é espalhado naturalmente no pasto. No meu ver, o sucesso agronômico e financeiro só acontece quando temos alta utilização de pasto e alta lotação por hectare”, considerou Owen. Os animais são cruzados com a raça Holandesa e Jersey – essa última de genética neozelandesa. Os sólidos totais do leite produzido alcançam 4% de gordura e 3,7% de proteína.

Nas fazendas, as bezerras são desmamadas com 95 quilos e o objetivo é inseminá-las com 15 meses de idade para que a primeira parição seja com 24 meses. A média de produção por animal/dia é de 17 litros.

Sobre a infraestrutura, o pasto usado é o Tifton 85 e eles não abrem mão da aveia e do azevém no inverno. Cada piquete, de 2,4 ha cada, possui dois bebedouros de água e cercas elétricas permanentes e móveis. O pasto é irrigado e a topografia é plana, além dos solos com alta fertilidade e boa drenagem. “Buscamos sempre a melhor qualidade para o rebanho e por isso, o pasto é medido e avaliado semanalmente. Os dados são colocados em uma planilha que calcula e define a ordem de entrada nos piquetes – buscando o ponto ótimo de entrada e o momento certo de saída (entrada com 25 cm e saída com 12 cm). Quando sobra pasto, usamos para fazer silagem de forragem”, descreveu.

Já que a pastagem apresenta alguns limites nutricionais, as fazendas do Grupo fazem uma suplementação nutricional que é dada duas vezes ao dia e normalmente é composta por silagem de milho e de pasto, milho moído, gérmen de milho, farelo de soja, casca de soja, polpa cítrica, cevada, levedura e minerais. A escolha dos ingredientes depende do preço e da disponibilidade no mercado.   


FAZENDA FLOR DA SERRA - BRUNO GIRÃO

Propriedade de Bruno Girão, a Fazenda Flor da Serra, localizada em Limoeiro do Norte/CE, fica na Chapada do Apodi, uma formação montanhosa entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, de 150 metros de altitude, praticamente plana, com solos de alta fertilidade, clima semiárido tropical, com precipitação média de 600 mm anuais, alta insolação e temperatura média de 28,5 °C - clima ideal para o crescimento de forrageiras tropicais. “A atividade leiteira corre no nosso sangue”, disse Bruno. A fazenda iniciou as atividades em 1968, por meio do empresário Luiz Prata Girão. 

1Bruno Girão – Interleite 2016

A água utilizada na propriedade vem do maior reservatório do Ceará e consegue abastecer todo o projeto de irrigação. Hoje são 10 pivôs com 470 hectares irrigados. A fazenda utiliza sistema a pasto irrigado e o padrão racial do rebanho é girolando e jersolando.

“Temos um centro de custo para cada setor dentro da fazenda, cada um com as suas metas. Fazemos reuniões mensais para analisar todos os dados com todos os parceiros e responsáveis por todos os setores. Buscamos a máxima transparência e almejamos sempre a redução dos custos”, comentou o produtor.

A Flor da Serra está organizada sob um sistema em que não há funcionários na fazenda. Esse modelo é muito parecido ao que é feito na Nova Zelândia, com os“sharemilkers” (parceiros que trabalham na propriedade e recebem uma porcentagem do lucro em troca de trabalho). Os pré-requisitos para o bom funcionamento dessa parceria inclui um sistema contábil atualizado, ambiente colaborativo na execução dos trabalhos, mão de obra comprometida com resultados, meritocracia (remuneração fixa + remuneração variável), entre outros. 

“Temos a empresa âncora que é a Girão Agronegócios, proprietária do empreendimento e que administra a fábrica de ração e a recria, além da gestão dos centros de custos e fundo de reposição, com planilha aberta a todos os parceiros. As outras empresas são a ‘Parceira na Produção de Leite (UPL)’, a ‘Parceira na Produção do Bezerreiro’ e o ‘Fundo Financeiro de Reposição do Rebanho da UPL’”, explicou Girão. 

Para facilitar o entendimento, ele citou como funciona uma das empresas: “A empresa parceira na gestão do bezerreiro, por exemplo, é responsável pela contratação, gestão e pagamento de pessoal para o manejo dos bezerros até a recria. Ela recebe da empresa âncora e administra todos os equipamentos, animais e insumos e recolhe os bezerros nascidos nas unidades de produção de leite. A remuneração da empresa parceira é baseada em bonificação/desconto”.

Considerando todos os núcleos e também a recria, a fazenda possui mais de 5.000 animais. Atualmente estão em lactação 2.100 vacas, com produção diária de 28.500 litros de leite (média de 13,6 litros/vaca/dia).  


FAZENDA SANTA LUZIA - MAURÍCIO SILVEIRA COELHO

Mauricio Silveira Coelho é Médico Veterinário pela UFMG, sócio proprietário e atual administrador da Fazenda Santa Luzia, localizada em Passos-MG. A Santa Luzia é uma das mais importantes fazendas produtoras de leite a pasto do Brasil, com uma produção de 28.000 litros diários, com 1450 vacas em lactação, sendo 1000 animais no sistema a pasto tradicional, e 450 vacas no novo projeto a pasto, irrigado e com ordenha rotatória (a primeira do mundo para animais da raça Girolando). Possui um rebanho de excelente produção e caracterização racial, sendo um plantel bastante premiado e de grande reconhecimento pela comunidade do segmento.

O painel intitulado “Quando o leite se combina com outras atividades produtivas”, trouxe Maurício S. Coelho e outros produtores, para contarem suas experiências na produção leiteira, em projetos nos quais o leite está integrado a outras atividades.

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Mauricio Silveira Coelho - Interleite 2016

As publicações das informações sobre algumas das palestras realizadas no INTERLEITE 2016 estão sendo liberadas paulatinamente. Tão logo as informações sobre a apresentação do Maurício forem disponibilizadas com mais detalhes, atualizaremos o conteúdo desta publicação. 


FAZENDA SANTA MARIA DO BREJO ALEGRE - PEDRO NUNES 

Impulsionado pelas intempéries climáticas, dificuldades operacionais com o crescimento do rebanho, custo fixo elevado, baixa produtividade por vaca e qualidade do leite insatisfatória, Pedro Nunes, produtor de leite de Itaúna/MG, optou pelo uso do compost barn na sua propriedade, a Fazenda Brejo Alegre. A fazenda tem 115 hectares, foi adepta da produção de leite a pasto durante 15 anos e produz hoje 32 mil litros/ha/ano.

1Pedro Nunes – Interleite 2016

“Quando eu decidi optar pelo composto, transformei áreas de pastagem e cana-de-açúcar em lavouras de milho e passei a importar forragens de outras propriedades para suprir o déficit. E por que a mudança? Quisemos aproveitar estruturas existentes na fazenda – como prédios antigos e ociosos - e exploramos a facilidade de manejo dos dejetos. Os animais se adaptaram imediatamente às instalações e obtivemos melhores índices produtivos, reprodutivos, de longevidade e de locomoção”, avaliou. Segundo Pedro, outro ganho percebido foi no tempo de ordenha. “Ganhamos 40 minutos em cada uma delas”.  

O cronograma utilizado pela Brejo Alegre contemplou 1 mês para a tomada de decisão, discussão com a assessoria técnica, consultoria especializada, visita à propriedades e revisão de literatura. Na sequência, mais 1 mês foi usando para o planejamento e contratação de serviços. Dois meses foram gastos para a execução do primeiro galpão e o primeiro lote de vacas foi instalado em 4 meses. “Priorizamos a instalação em um lugar seco, bem drenado e protegido de enxurradas, sem contar com o pé direito alto, ventilação eficiente e pista de trato e bebedouros separados da cama”, acrescentou. O espaço por animal é de 10 m²/vaca e há facilidade para o acesso de tratores e caminhões.  

Para que o sistema traga os benefícios esperados, o manejo diário é fundamental. A avaliação da cama, raspagem da pista, escarificação da cama duas vezes ao dia e reposição de cama se necessário são exemplos de ações comuns na propriedade mineira. Toda essa atenção especial fez com que em 10 meses a produção de leite/vaca/dia saltasse de 23,7 litros para 30,2 litros. Em outros quesitos os resultados também vieram e foram bastante notáveis nos quesitos qualitativos: a CBT (Contagem Bacteriana Total) caiu de 12 mil ufc/ml para 4 mil ufc/ml e a CCS (Contagem de Células Somáticas) de 480 mil cél/ml para 270 mil cél/ml. Outros ganhos aparentes foram a docilidade dos animais, melhora acentuada na locomoção das vacas, melhor controle de ectoparasitas, entre outros.  

“O confinamento em sistema de compost barn nos atendeu de forma ágil e efetiva, mantendo-nos competitivos na atividade leiteira. As nossas expectativas continuam altas! Inclusive, pretendemos aumentar a longevidade dos nossos animais por meio da menor mortalidade. Pretendemos também valorizar o rebanho reduzindo o descarte involuntário”.   


FAZENDAS REUNIDAS ACP - LEOPOLDO ANTÔNIO PEREIRA

Leopoldo Antônio Pereira, das Fazendas Reunidas ACP e Filhos, em Carmo do Rio Claro/MG comentou que empresa possui 55 anos de atividade na pecuária de leite, com três gerações familiares. “O leite é o nosso melhor negócio. Mas já alerto: quem produz o leite é a agricultura! Não tem nenhum sistema que, por meio de uma agricultura ineficiente, consegue produzir leite de uma forma eficiente”. A produção leiteira começou em 1960 com 30 litros por dia.

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Léo Pereira – Interleite 2016

A fazenda, que está estruturando um museu para contar a sua trajetória, idealizado pelo patriarca Antônio Carlos Pereira, destina 505 hectares para a produção de leite e produz 40.000 litros por dia. São 1500 animais em lactação, 90% se encontram nofree stall e 10% em pastejo. Pecuária de corte, produção de cereais, café, cana e peixes, são as outras produções desenvolvidas. Leonardo fez questão de ressaltar na sua apresentação que, em 2015, o faturamento do setor leiteiro foi maior que todas as outras culturas que produz - totalizando R$ 34.400,00/ha. “Com esse faturamento, se você tiver uma margem de 15%, terá lucratividade maior do que a receita bruta de soja”, demonstra ele.

O sistema adotado é de sociedade familiar, definido há 2 anos e que ainda está em execução. “Os sócios são funcionários do grupo. Para aperfeiçoar o nosso sistema gerencial, fazemos reuniões semanais para apresentar resultados, fazer o planejamento operacional, a seleção de prioridades e o planejamento financeiro. Também temos algumas empresas de apoio, como para armazenar grãos e realizar o transporte” explanou, mostrando que o grupo é bastante verticalizado.

Perguntado sobre como é a experiência em trabalhar com membros da família, ele diz que buscam a máxima transparência e confiança. “Meu pai sabe tudo o que acontece na fazenda. Em família, ‘roupa suja tem que ser lavada rápido’. Desde que começamos a nos reunir semanalmente, a paz reinou”.