Confira o trabalho da Fazenda da Gurita, Bom Despacho/MG - um exemplo da importância da consultoria
Programa Técnica Rural: leia o conteúdo completo ou assista o programa que mostra como a consultoria alterou os conceitos e a produtividade na Fazenda da Gurita. Novas técnicas, um bom planejamento e muito trabalho fizeram com que as metas fossem atingidas em pouco tempo.
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A fazenda da Gurita é assistida pela Equipe ReHAgro e utiliza o sistema de gestão IDEAGRI.

Confira o depoimento do proprietário da Fazenda, sobre a utilização do sistema de gestão IDEAGRI:

“Eu usava o Excel e a digitação dos dados era muito trabalhosa, além das informações não serem muito precisas para cálculo de índices. Depois que passamos a usar o IDEAGRI, começamos a ter dados muito mais precisos. Isso nos traz informações com muito mais qualidade para embasar as decisões a serem tomadas na fazenda, antecipando os resultados.”
Paulo Gontijo, Produtor, Fazenda Gurita, Bom Despacho - MG.


As informações exibidas a seguir foram transcritas do TÉCNICA RURAL, do CANAL RURAL.
Técnica Rural (TR): “Neste técnica rural vamos mostrar como a consultoria de um grupo de profissionais em Minas Gerais está alterando os conceitos e a produtividade de algumas fazendas. Você vai conhecer a fazenda da Gurita.”

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TR: “É uma fazenda de leite e, como tal, as dificuldades do setor fizeram com que o proprietário procurasse auxílio para melhorar os índices.”

TR: “No projeto foi feito um planejamento bem coerente: divisões das áreas de pasto, número de vacas em pastejo por talhão, número de lotes em produção, tamanho da sala de ordenha e outras instalações.”

TR: “Depois do projeto definido, a primeira etapa foi a otimização dos recursos da propriedade.”

Paulo Gontijo Álvares / Empresário (PG): “Nós tínhamos dois retiros, 280 hectares, sete funcionários e produzíamos 1.500 litros de leite. Neste primeiro momento, nós desativamos um curral, reduzimos a área para a metade, alugamos 140 hectares, ficamos só com 140 hectares. Passamos a ter oito funcionários, um retiro só. Deixamos de comprar ração pronta, passamos a produzir a ração direto na fazenda, comprando só os insumos e fazendo tudo aqui para a redução de custo e conseguimos com o mesmo plantel, com esse manejo diferente, com aproveitamento melhor de pasto, nós já passamos a 2.200 litros de leite, com o aumento de um funcionário e gerando uma receita adicional para a fazenda com o aluguel da outra área.”

PG:”Depois, nós partimos para uma segunda etapa, que foi a implantação da gestão destes números do rebanho. A gente tinha uma informação anterior, que ajudou muito na confecção do projeto. Então, nós começamos a gerir, otimizar e colocamos meta para conseguirmos atingir as metas todas. Feito isto, então, a próxima etapa é a implantação dos números financeiros que está sendo feito hoje. A gente já começa a ter, então, meta de receita, meta de despesa, onde a gente conseguir pegar os números críticos, onde a gente não consegue atingir, para poder fazer um plano de ação mais rápido e com isso tornar a atividade mais produtiva em tudo. Eu acredito que o pulo do gato da gestão é que a gente tem que tratar uma fazenda como uma empresa. Tem que tratar os números da mesma forma, respeitar este projeto que foi feito, correr atrás, usar a criatividade, que é um aspecto muito positivo da consultoria, por ter experiências em outras fazendas. Então, quando a gente tem um problema, a gente não tem só o problema, já existem algumas propostas de solução, que para cada propriedade tem as suas características, que vão ser discutidas e dentro desta realidade, vai ser tomada uma decisão da melhor opção para aquele momento, que vai nos trazer um grande benefício.”

TR: “Desde a implantação do projeto, várias mudanças aconteceram, entre elas: aumento de produção e maior produtividade por animal.”

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PG: “No primeiro momento, nós já conseguimos, com o mesmo plantel, sem compra de animal, mudando a ração, passou a ser produzida na fazenda, desativamos um curral e concentramos no outro, já pulamos para 2.200 litros de leite. Só na ração foi uma economia de 20% no custo do concentrado da fazenda. E aí começamos a implantar o projeto propriamente dito.”

TR: “Para o Ricardo que é o veterinário que atende a propriedade o ponto de partida da reestruturação foi estipular a meta de produção de leite que, neste caso, é de 20.000 litros por hectare ano.”

TR: “Para alcançar este número foi preciso acertar alguns pontos: a quantidade de volumoso necessária, qual o tipo de animal se encaixa no sistema e principalmente o manejo dos animais.”

Ricardo Peixoto de Melo / Médico Veterinário (RP): “A idéia é trabalhar com 400 vacas em lactação, para isso nós vamos precisar em torno de 80 hectares de pasto e 40 hectares de cana. Hoje, nós tentamos dividir o projeto em duas etapas, ou seja, primeiramente nós vamos atingir um numero de 250 vacas em lactação e posteriormente dar um segundo passo até chegar as 400 vacas em lactação. Eu acho importante essa divisão em etapas por que isso permite você escalonar melhor os investimentos e permite também você dar um tempo para o empresário, para a própria fazenda, para a equipe de funcionários, para eles irem absorvendo ao longo deste período as tecnologias.

TR: “Na condução do dia a dia do projeto, são determinados indicadores de desempenho, que servem para orientar se tudo está sendo feito de acordo com o planejamento.”

RP: “Para eu produzir X de leite, esses animais, as novilhas têm que parir em uma determinada época, as vacas têm que parir de tempo em tempo, para que eu consiga ter as médias de produção desejadas e chegar na nossa meta macro que são os 20.000 de leite por hectare ano. Então, quais são os indicadores que nós temos trabalhado hoje: nós temos trabalhado com indicadores reprodutivos. Então, mensalmente eu meço a taxa de concepção e a taxa de serviço dos animais, nós temos uma meta para cada indicador desse. Mensalmente a gente faz um check de metas, e as metas que não são cumpridas, ou seja, nós temos um desvio de metas, nós traçamos um plano de ação mensal para corrigir.”

TR: “Veja um exemplo: na reprodução, a meta anual da taxa de concepção é de 40%. Isso significa que em cada 100 vacas inseminadas, 40 tem que estar prenhas.”

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RP: “Nós trabalhamos com outro indicador que é a taxa de serviço, ou seja, dos animais que eu tenho disponíveis para serem inseminados, quantos animais nós estamos conseguindo inseminar. Esta meta, a nossa é de 60 %, ou seja, a cada 21 dias, eu quero que 60% dos animais disponíveis para serem inseminados sejam inseminados.”

RP: “Qualidade do leite: quais são nossos três indicadores: índice de mastite clínica, CCS e CBT. Quais são as nossas metas: para o índice de mastite clínica, ou seja, as vacas que apresentam casos de mastite diagnosticados a ordenha, eu tenho uma meta de 1%. Para o índice CBT (contagem bacteriana total) eu quero um número abaixo de 30 unidades formadoras de colônia por ml de leite. Para o índice CCS, ou seja, contagem de células somáticas, eu quero um número abaixo de 400.000 células por ml de leite.”

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RP: ”Outro indicador que a gente trabalha muito é o ganho de peso na recria. Então, para cada lote e para cada fase a gente estabelece uma meta de ganho de peso. Os animais são pesados mensalmente e a gente faz o check de metas final do mês.”

TR: “Na produção de leite a meta é de 20 kg por vaca dia, em média.”

RP: “Então, eu faço uma evolução de rebanho, eu tenho uma previsão de quantos animais estarão em lactação em cada mês, eu faço uma meta da produção mensal e isso me dá um volume de leite diário. Então, a meta de produção de leite a gente controla dessa maneira. Uma coisa interessante que a gente faz na fazenda é tornar essas metas públicas, ou seja, então, cada setor tem a sua meta, isso é afixado num quadro e os funcionários têm a oportunidade de ir acompanhando o seu desempenho.”

TR: “No projeto de reestruturação foi adotado o pastejo rotacionado.”

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RP: “A gente trabalha com dois grupos de animais. Um grupo de maior exigência que o faz o pastejo que a gente chama de ponta, no caso aqui desse módulo que é um módulo de Mombaça, a altura de entrada é em torno de 90 cm.”

RP:” Então, o primeiro lote que faz o pastejo de ponta pasteja até em torno dos 50 cm. Este lote de ponta fica em torno de um dia e depois nós fazemos o pastejo de mais um dia, com o lote que a gente chama de repasse, que são os animais repassadores, normalmente animais de menor exigência, que fazem os pastejo até os 40 cm, que é a altura de saída dos piquetes.”

TR: “Bem, até aqui você viu que o conhecimento real da propriedade é a base para planejar um sistema adequado, mas, qualquer que seja o sistema, a chave está em definir claramente os objetivos e traçar metas para atingi-los.”

PG: “Este é o grande diferencial, a parte de gestão, tanto de rebanho quanto financeira. É fundamental começar por um planejamento bem feito, bem dimensionado, fazer a implantação com acompanhamento, atingindo meta, procurando, inclusive a gente tem premiação para os funcionários, para quem atingir meta por setor. Todo mês é feita uma avaliação, é feito este levantamento, os funcionários tem uma premiação em função disso. Está no nosso projeto, a gente está implantando também, uma divisão de lucros entre os funcionários, como as empresas hoje fazem que é uma motivação grande para essa equipe que está trabalhando, por que o resultado, aí, é mérito de todo mundo. Ele é mérito da gestão, ele é mérito da liderança, da implantação e das técnicas que são definidas e aplicadas na fazenda.”

TR: “No próximo bloco você vai ver uma parte importante da implantação do projeto, que é corrigir o manejo da propriedade.”

TR: ”Neste programa estamos mostrando que as decisões são sempre mais acertadas quando baseadas em planejamento. Por isso, a consultoria coloca a fazenda em um caminho mais profissional e mostra como deve ser a produção e o manejo.”

TR: ”Você viu que para o manejo da pastagem foi implantado o manejo rotacionado, as áreas de pastos forma divididas em setores. Cada setor é composto por piquetes, no total são 25.”

TR: “A altura do pasto para a entrada e a saída dos animais deve ser rigorosamente respeitada. Cada forrageira tem a altura ideal de pastejo, isso significa fornecer aos animais um pasto de melhor qualidade.”

RP:” No caso do Mombaça a gente tem preconizado uma altura de entrada em torno de 90 cm e uma altura de saída em torno dos 40 cm. A fazenda também trabalha com pastejo em Tifton. No caso do Tifton a altura de entrada está em torno de 25 a 30 cm e a altura de saída em torno de 10 cm.”

TR:” O motivo pelo qual se trabalha muito com a altura de entrada dos animais está relacionado com a fisiologia da planta e determina um padrão de consumo.”

RP: Dentro de cada setor ou grupo de piquetes, como a gente denomina aqui na fazenda, eu tenho normalmente uma variedade forrageira, ou seja, ou eu trabalho dentro de um mesmo setor, com Mombaça ou Tifton, Basicamente o motivo disso é que dentro de um mesmo ciclo, o ritmo de crescimento de cada forrageira não é o mesmo. Então, se eu trabalhar dentro de um mesmo setor com forrageiras diferentes, eu hora vou prejudicar uma ou outra no manejo e não vou conseguir respeitar a altura de entrada, que é o principal ponto do meu manejos de pastagem. “Ou seja, a altura onde eu garanto o máximo de qualidade dessa forragem para os animais.”

TR: “Já para a altura de saída, a preocupação e com a recuperação da planta. Quanto menos folhas ficarem, maior a demora da rebrota, por que a planta precisa ter área foliar para fazer a fotossíntese e crescer novamente.”

RP: ”O que eu tenho de mais importante na forragem são as folhas, e a planta, a gente sabe, ela tem folhas e haste. Então, qual é o sinal fisiológico que a planta tem para fazer haste? Para cada planta isso é definido nessa altura de entrada. Então, se eu tenho para o Mombaça uma altura de 90 cm, a partir dos 90 cm ele começa a fazer haste, e a hora que ele começa a fazer haste, ele começa a perder qualidade. Então, quanto mais pressão de pastejo eu fizer, mais o gado abaixar dos 40 cm, no caso do Mombaça, mais eu vou sacrificar essa planta, e mais tempo ela vai demorar para rebrotar. No longo prazo, eu posso até acarretar a perda da pastagem.”

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TR: “Às vezes é difícil acertar a altura só pelo visual, mas, com uma ferramenta simples, o funcionário mede e não tem erro.”

Joel Inocêncio do Amaral - Gerente da Fazenda:” A gente utiliza essa ferramenta, que ela é medida em centímetros, para a gente poder estar avaliando o pasto e chegar numa conclusão de quanto já está a altura do pasto, PA a gente entrar com o gado. Eu utilizo ela mudando, medindo em vários pontos, para ter uma média e chegar à conclusão que esse é o melhor pasto para estar entrando com os animais. Após este gado ter pastejado neste módulo, neste piquete, a gente pega e faz o repasse. Após o repasse a gente entra com adubação de nitrogênio. Geralmente, a gente anda no piquete e vai acompanhando, em uns 4, 5 ou 6 pontos, depende do tamanho do piquete, para a gente estar avaliando certinho, fazer uma média e ver se é este mesmo o piquete ideal para estar entrando.”

TR: ”O manejo bem feito ajuda muito no desempenho dos animais e na rotina da fazenda. Mensalmente é feita uma avaliação e os animais são divididos de acordo com a produção.”

RP: “Atualmente nós temos 4 lotes, sendo 1 lote de primípara, esse lote normalmente a gente não agrupa por produção, ou seja, todo animal de primeira cria vai para esse lote e passa a primeira lactação, especificamente, nesse lote independentemente da produção. Temos outros 3 lotes, esses sim, a gente agrupa por produção.”

TR: “As vacas de maior produção, após a ordenha, recebem suplementação no cocho e depois vão para o pasto.”

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RP: ”Eu assumo que essas vacas comem em torno de 8 kg de matéria seca de pasto, por quê? Nós estamos em um período de verão, sol muito quente, normalmente esses animais não pastejam durante o dia, esses animais tem em torno de 2 horas por dia que eles estão na ordenha, então, o período de pastejo desses animais é limitado, ou seja, essas vacas não dão conta de comer acima de 8 kg de pasto. Então, nós temos um déficit de 12 kg de matéria seca. Como eu vou suprir isso? Ou eu coloco um poço mais de forragem vinda de outra fonte que não seja o pasto ou eu coloco 12 kg de matéria seca de concentrado. A gente calcula o custo do concentrado e o custo da forragem adicional e faz a conta de qual é mais interessante para a fazenda.”

TR: “Com esta estratégia, houve queda no custo da dieta e é claro que isso gerou impacto direto no custo da produção.”

TR: “Então, qual foi a estratégia?”

TR: “Como a fazenda tem uma área grande de cana, parte do canavial foi destinada para silagem.”

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RP: “Essa silagem tem duas importâncias, vamos dizer assim. Uma: ela me ajuda na composição da dieta do lote 1 e além disso, no período de pastejo eu não tenho uma distribuição uniforme das chuvas, então, eu faço uma programação de ter uma lotação de 8 UA/ha e dependendo da distribuição das chuvas, tem meses que eu consigo 5 a 6 até 4 UA por hectare. Eu tenho que supri esse déficit de alguma maneira, então eu uso a silagem de cana para fazer essa suplementação extra no verão.”

TR: “A partir do momento em que se optou por pasto ou cana, a primeira preocupação foi buscar animais que tivesses exigências que a cana ou pasto pudessem suprir.”

RP: “Para a gente conseguir essa meta de 6.000 kg por vaca , quais são as características desejáveis em um animal desse. Primeiro eu preciso de um animal dócil, uma animal quer permita a ordenha sem a presença do bezerro, essa é uma das premissas do projeto, e uma animal que consiga, que tenha mérito genético para chegar nessa produção. Então, eu quero um animal, normalmente de estatura baixa, ou seja, nós temos que pensar que esse animal tem que ir no pasto buscar o alimento durante 5 meses no ano ele tem que vir 2 vezes na ordenha, então relativamente é um animal que precisa andar muito, então ele não pode ser uma animal grande, outra coisa muito importante é a conformação de úbere desses animais, ou seja, não pode ser animal com úbere muito profundo, por que esse animal tem que andar muito e isso dificulta a caminhada dos animais. E além disso são animais que tem que ter pernas e ângulo de casco muito bons, por que são animais que vão andar muito. Ou seja eu não posso ter animais na fazenda claudicando, por que isso vai prejudicar a produção dos animais.”

PG: “Hoje o que eu penso, o que eu vejo aí como perspectiva para um mercado futuro em uma distância não muito longa, é só de ganho e de melhora. A partir do momento em que a gente tiver esse projeto todo implantado produzindo com a capacidade máxima instalada de 8.000 litros / dia nessa propriedade, a gente tem a receita do bolo pronta. Então, aí, nós vamos tomar uma outra decisão, se a gente parte para implantar um outro módulo desse numa outra fazenda ou se estaria comprando uma área ou mesmo uma área que estaria alugada. A gente estaria implantando uma rotina igual por que eu acredito muito que o leite como produto bom com margens boas por que a tendência hoje no mercado internacional é que o subsídio, lá fora, na Europa, Estados Unidos, caia. Então desta forma o Brasil entra nesse cenário com a perspectiva de ganho muito boa, competitivo, muito eficiente, como uma área boa, com um clima bom com uma mão de obra boa. Então, tecnologias boas, então perspectiva para essa atividade, eu acredito que ai a 2013 ela é muito boa, Estou super satisfeito, muito motivado a continuar nela e estar investindo e implantando outros projetos como esse.”

TR: “O eu mostramos até agora, seria mais difícil sem um estudo prévio e sem o trabalho de profissionais da área. É um projeto de longo prazo, mas já dá para perceber que o caminho está traçado.”

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