Conheça seus animais avaliando a curva de lactação pelo IDEAGRI. Por Evandro Della Croce

Nos diversos sistemas de produção de leite que encontramos no país, a produção por animal ou de um rebanho está sujeita a uma série de fatores que interferem na produtividade. Esses fatores podem ser de ordem fisiológica ou ambiental. No contexto fisiológico, podemos citar a idade do animal; estádio e ordem de lactação; tamanho do animal; duração do período seco; gestação e complicações pós-parto. Outros fatores ainda podem ser considerados como grau de sangue do animal e composição genética. Os fatores de ordem ambiental envolvem estação ou mês de parição; freqüência e intervalo entre ordenhas; período de serviço; instalações e manejo nutricional e dietas dos animais.

Dentre os fatores fisiológicos descritos acima, o entendimento de estádio de lactação, representado pela curva de lactação de um animal, é de extrema importância, pois retrata, de maneira rápida e eficaz, a produção de cada animal, bem como a influência de fatores ambientais.

No quadro 1, apresentamos as curvas de lactação, determinando-se o pico de produção e persistência da lactação de três vacas (1ª: Vacas européias, 2ª: Primíparas européias, 3ª: Vacas zebuínas e/ou mestiças).

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Em uma curva de lactação, podemos observar 4 momentos produtivos da vaca:

- 1ª fase – terço inicial da lactação – Inicia-se a produção de leite com o colostro (3 a 5 dias) e a secreção torna-se normal. O consumo de matéria seca (MS) é menor do que a exigência da vaca nesse período. Nesta fase ,ocorre o pico de produção (4ª a 8ª semana).

- 2ª fase – terço médio da lactação – Esta fase situa-se entre a 10ª a 20ª semana da lactação. Nota-se um aumento gradativo no consumo de MS, com pico entre 60 a 90 dias de lactação, para depois haver um decréscimo linear da produção a uma razão de 2,5% por semana ou 8 a 10% ao mês. Como a produção começa a cair, o consumo de alimento torna-se maior que as exigências do animal, ocasionando um aumento das reservas corporais.

- 3ª fase – terço final da lactação – Ocorre o decréscimo de produção até o encerramento da lactação. É a melhor fase para repor o peso e o escore corporal perdidos na fase inicial da lactação.

- 4ª fase – período seco – Não há produção de leite nessa fase e há uma queda acentuada no consumo de MS, devido ao crescimento fetal, diminuindo espaço interno para o rúmen.

A persistência mede a taxa de decréscimo da produção de leite, em litros por tempo, após o pico de produção por vaca. Analisando-se curvas de lactação, verificamos a tendência de aparecimento de curvas com menor persistência para vacas com elevadas produções no pico de lactação.”. Vacas de alta produção geralmente apresentam picos de produção tardios e alta persistência. Vacas primíparas apresentam menor pico de produção e uma persistência maior.

Outro fator importante para que você conheça seus animais é a ordem de lactação que é definida como o número de partos ocorridos (idade de parição) ou conforme o número de lactação em andamento. É interessante que as novilhas iniciem sua vida produtiva o mais cedo possível, mesmo que sua produção inicial seja menor, pois o animal terá vida útil maior e o intervalo entre gerações será menor fazendo com que sua produção na vida útil seja maior. O ideal é a primeira parição aos 24 meses de idade, sendo que a idade de 30 meses é considerada uma faixa adequada. Os animais mestiços tem a primeira parição entre 30 e 36 meses em função da estratégia alimentar na propriedade.

O tamanho e peso das vacas também são fatores que, juntamente com a idade dos animais,”, tem impacto direto com a produção de leite e e são dados importantes a serem considerados quando analisamos a curva de lactação de um animal. Devemos levar em consideração que vacas maiores possuem maiores capacidades digestiva, respiratória, circulatória e maiores quantidades de reservas corporais.

Curvas de lactação são influenciadas também por desordens e doenças no pós parto. Retenção de placenta, hipocalcemia, cetose e doenças metabólicas são alguns exemplos.

Tenha como rotina analisar as curvas de lactações de seus animais. O Ideagri permite que você visualize todas as curvas de lactação em um único gráfico possibilitando compará-las em momentos distintos da vida da vaca. Abaixo, veja como o Ideagri apresenta as curvas de lactação:

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Fonte: Relatórios do Sistema de gestão IDEAGRI.


Pode-se também analisar as curvas separadamente. Esta análise é importante pois, casos de mastite e aplicações de BST informados ao sistemas podem ser visualizados juntamente com o dia da concepção. Veja abaixo exemplos da apresentação de curvas por lactação por animal.


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Fonte: Relatórios do Sistema de gestão IDEAGRI.


Analisando as curvas acima, podemos visualizar a grande influência dos casos de mastites na curva de lactação de um animal, sendo que os mesmos são um dos principais responsáveis por grandes perdas na produção de várias propriedades no país.

O uso da somatrotopina tem sido prática comum em diversas fazendas. Aplicações de BST tem influência direta na curva de lactação de um animal, contribuindo para um aumento da produção total e persistência da lactação, muita das vezes consideráveis e determinantes para a na tomada de decisões na propriedade. Pelo gráfico de curva de lactação do Ideagri, você pode avaliar quais animais estão respondendo ou não às aplicações. Todas as informações contida nesses gráficos são assessoradas por uma tabela que informa o início e fim das lactações; a duração em dia;, a produção total, estimada e corrigida em Kg; os picos de produção e em que momento (DEL) ocorreram.

Utilize as informações visualizadas acessando as curvas de lactações de seus animais e combine-as com outras informações extraídas nos diversos relatórios disponibilizados pelo Ideagri. A análise correta dos dados faz com que você conheça melhor seus animais, além de direcioná-lo na revisão de seus conceitos de produção, apresentando os melhores animais da propriedade bem como futuros descartes. Transforme os dados de sua fazenda em informações confiáveis para tomadas de decisões. E lembre-se: uma decisão certa é sinônimo de lucratividade e de bons resultados!

Autor: Evandro José Guimarães Della Croce -Zootecnista formado pela FEAD Minas. Especialista com pós-graduação em pecuária de leite do ReHAgro. No IDEAGRI, atua como consultor.