Considerações sobre taxa de prenhez em estações de monta, por Gustavo Mello - ReHAgro

É bastante comum ouvirmos a pergunta: Qual é o índice alcançado ou a taxa de prenhez da estação de monta de sua propriedade ou das propriedades onde trabalha? O que usualmente escutamos são taxas variadas e que contemplam apenas o número de prenhezes sobre o número total de vacas que foram trabalhadas na estação reprodutiva. Dessa forma, levantamos algumas questões: Esse índice ou taxa é o número mais importante? Como avaliar esse índice realmente? Quais estratégias podem ser traçadas a partir desse resultado? Quais acertos ou erros podem ser enxergados? Como será a distribuição dos partos na estação de nascimento? Quais as medidas que podemos adotar para a próxima estação de monta?

O objetivo deste artigo é ressaltar que não devemos ficar presos a um item isolado como a taxa de prenhez,e sim de destacar a importância de extrair o máximo de informação desta taxa e de outros índices, como, por exemplo, a performance dos touros/inseminadores, a taxa de concepção em cio natural ou em protocolo, a distribuição das prenhezes ao longo da estação e a conseqüente projeção da curva de parição, dentre outros.

Inicialmente, é interessante identificarmos os fatores que influenciam a taxa de prenhez: as taxas de concepção da vaca, do sêmen/touro, a eficiência na detecção de cio e a eficiência na técnica de inseminação artificial. A tabela 01 representa o efeito acumulativo da fertilidade da vaca, do touro, da eficiência na detecção de cio e do inseminador na taxa de prenhez.

Tabela 01

Nesta tabela temos o percentual de prenhezes a cada ciclo de 21 dias em função dos índices alcançados. Ao trabalharmos com uma estação de monta de 120 dias temos diferentes resultados a partir da taxa de prenhez e seus respectivos determinantes. Dessa forma, constata-se a importância de levantarmos todos os índices possíveis para que possamos melhorar ou traçar metas para o fim da estação de monta.

As tabelas 02 e 03 representam situações reais de uma propriedade ao fim de uma estação de monta, da qual foram extraídos os relatórios de taxa de concepção por touro e taxa de concepção por inseminador, respectivamente. A partir destas tabelas é possível identificar e analisar estes índices durante e ao fim da estação de monta.

Tabela 02

Tabela 03

Outro ponto de extrema relevância a ser levantado ao fim da estação de monta, e que auxilia na identificação de possíveis problemas refere-se à projeção da curva de parição para a estação de nascimento.

Os gráficos 01 e 02 apresentados abaixo, são exemplos de curvas de parição em propriedades distintas que trabalham com gado zebu. Ambas as propriedades realizam estação de monta com duração de 120 dias (janeiro – abril).

Observa-se que o gráfico 01 representa uma propriedade que contém a distribuição das prenhezes ao longo da estação de monta na forma desejável, ou seja, as vacas/novilhas tornam-se gestantes ao início da estação, fazendo com que os partos se concentrem no início da estação de parição. Isso faz com que as vacas retornem à ciclicidade em tempo adequado para que tenham bom desempenho na estação de monta subseqüente e que os bezerros sejam desmamados mais pesados em função da melhor qualidade e quantidade de forragem na época das parições.

Já no gráfico 02, temos uma situação mais complicada. Há uma grande concentração de partos no mês de fevereiro, fazendo com que as vacas paridas neste mês só entrem na estação de monta na segunda quinzena de março, ou seja, 35 dias pós-parto. Desta forma, estes animais terão somente de um mês a um mês e meio dentro da estação reprodutiva, podendo comprometer muito o índice desta estação.

Assim, a partir destas considerações, teremos que adotar medidas estratégicas para este rebanho. Podemos atuar aumentando o número de novilhas de reposição, utilizar de artifícios como restrição de amamentação (manejo de mamada, por exemplo) e/ou protocolos reprodutivos (IATF), dentre outros. É importante salientar que, para cada propriedade, a escolha deve ser estratégica e alinhada com as idéias do proprietário e com o perfil do rebanho.

Gráfico 01

Gráfico 02

Finalmente, gostaríamos de enfatizar que, quando possível, é interessante que tenhamos a distribuição e divisão das categorias que entraram na estação reprodutiva, sendo estas divididas em novilhas (nulíparas) e vacas paridas (primíparas, secundíparas e multíparas) de acordo com o mês de parição. É preciso destacar isso para que, ao analisarmos o resultado de um diagnóstico de gestação intermediário ou final, estejamos atentos para identificar falhas em alguns lotes.

Os gráficos 03 e 04 representam um exemplo de uma propriedade em duas situações distintas. No primeiro exemplo (gráfico 03) identificamos as taxas de prenhez para os lotes de acordo com a meta esperada e estipulada. Já no segundo exemplo (gráfico 04) visualizamos alguns lotes com a taxa muito abaixo do esperado, sendo estes, o lote de novilhas e os lotes de vacas paridas nos meses de novembro e dezembro. A partir daí, temos que levantar as possíveis causas para este ocorrido, sendo que as propriedades que trabalham com diagnóstico de gestação intermediário podem atuar durante a estação e, para aquelas que não o realizam resta somente identificar e descartar o problema para a estação do ano seguinte.

Gráfico 03

Gráfico 04

É muito importante, então, não ficar preso e nem analisar isoladamente a taxa de prenhez. Deve-se trabalhar uma estação de monta de forma gerencial, observando e levantando todos os fatores que influenciam as metas traçadas.

Autor: Gustavo Melo - Médico veterinário, Especialista em Produção de Gado de Corte - Equipe ReHAgro

Fonte: www.rehagro.com.br