Cultivar de capim gera mais de R$ 75 milhões para pecuária no Sul

Os benefícios econômicos gerados com a cultivar de capim-sudão BRS Estribo têm entusiasmado pecuaristas e produtores de leite na região Sul do País. Somente em 2015, foi gerado um ganho adicional de R$ 77 milhões, somadas a venda de carne, a economia nos custos de produção de leite e a venda de sementes. Obtenha mais informações sobre o trabalho realizado por especialistas da Embrapa para avaliar o impacto da tecnologia, por meio de entrevistas com produtores de gado de corte e leite que adotaram o BRS Estribo.

Desenvolvida em parceria entre a Embrapa Pecuária Sul (RS) e a Associação Sul-Brasileira para o Fomento de Pesquisa em Forrageiras (Sulpasto), a cultivar BRS Estribo é uma forrageira anual de verão e que apresenta maior rusticidade e ciclo mais longo, o que a coloca em vantagem diante do milheto e do sorgo forrageiro, espécies mais comumente usadas como pastagem de verão na região Sul do Brasil.


De acordo com o Relatório Anual de Avaliação dos Impactos das tecnologias geradas pela Embrapa no ano de 2015, a área plantada com o capim-sudão BRS Estribo totalizou 340 mil hectares, tanto em áreas de produção de carne como para leite. Ao se considerar somente o valor gerado com a produção de carne, os dados mostram que cada hectare em que foi utilizada a tecnologia BRS Estribo conseguiu-se produzir, em média, 24 quilos a mais que o proporcionado pela forrageira anteriormente utilizada pelo produtor: o sorgo forrageiro. Segundo dados da Emater, o preço do boi vivo custava na época R$ 5,30. Esse número multiplicado pelos 310 mil hectares plantados gerou um ganho adicional de R$ 36 milhões somente em carne.

Já na bovinocultura de leite, as cifras se referem à economia de custos proporcionada pela forrageira BRS Estribo. Com o ciclo mais longo desta cultivar, os produtores de leite puderam reduzir os custos com ração. Em um universo de 30 mil hectares plantados, a troca de forrageira resultou em um valor próximo a R$ 24 milhões. "Isso significa que os produtores deixaram de gastar esse valor com concentrados e outros suplementos alimentares, devido ao uso mais prolongado da BRS Estribo e à maior produção de massa forrageira ao longo do ciclo de verão", explica o pesquisador Jorge Sant´Anna, responsável pela elaboração da análise socioeconômica do Relatório de Impactos das tecnologias produzidas pela Embrapa Pecuária Sul.

Nos primeiros experimentos realizados pela Embrapa Pecuária Sul, em 2013, coordenados pela pesquisadora da área de manejo de pastagens Márcia Silveira, ficou constatado que a produção intensiva de carne a pasto, tendo o BRS Estribo como base, foi bastante competitiva em relação às demais forrageiras anuais de verão. "O Estribo se mostrou com muito potencial para aumentar a produção média e a renda por hectare, tanto sob pastejo rotativo como pastejo contínuo, sendo possível alcançar bons índices em termos de produção animal quando bem manejada", relata. No pastejo contínuo, a média de ganho individual diário foi de 704 gramas por animal e o ganho por área foi de 361,7 quilos de peso vivo por hectare. Já no pastejo rotacionado, os experimentos obtiveram um ganho diário de 710 gramas por animal e ganho por área de 266,4 quilos de peso vivo por hectare.

Passados três anos do lançamento da BRS Estribo, os dados obtidos a campo confirmam os resultados dos experimentos. A maioria dos produtores de gado de corte e de leite que usou o BRS Estribo diz ter encontrado uma produção maior nesta forrageira, quando comparada ao milheto, ao sorgo ou ao capim-sudão comum. No gado de corte, por exemplo, o incremento foi de 13%, em média, segundo dados do Relatório de Avaliação dos Impactos. Isso porque, em relação ao capim-sudão comum, a BRS Estribo apresenta uma maior produção de forragem, maior perfilhamento e maior proporção de folhas, quando bem manejado. Já em comparação com o sorgo, o capim-sudão não apresenta o risco de toxidade aos animais, conferindo maior flexibilidade ao manejo.

"Muitas características foram selecionadas para proporcionar mais massa verde à planta, maior número de rebrotes, além de maior tolerância ao frio e à geada. Dessa forma, é possível fazer um ciclo mais longo de utilização do BRS Estribo (de pelo menos um mês e meio a mais de disponibilização de forragem) até as primeiras geadas da estação fria", explica o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Daniel Montardo. Ele frisa que em setembro ou outubro já é possível plantá-lo, com a produção se estendendo até fins de abril ou início de maio. Esta cultivar também possui maior tolerância ao pastejo e ao pisoteio, e colmo (cana) mais fino que o sudão comum. Isso permite que, somente com a entrada dos animais no momento certo, o pasto consiga ser rebaixado, e ao final de todo o ciclo de pastejo necessite um menor número de roçadas.

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