DESAFIO DA MUDANÇA: Por que temos tanto medo? Por Adriana Duarte
A alta e crescente competitividade não está deixando lugar para gestores “à moda antiga”, com estilo individualista, autoritário e inflexível. Não perca, no artigo, importantes questionamentos sobre como devemos agir em relação às mudanças organizacionais.
Mudanças

A resistência humana às mudanças é histórica. O ser humano sempre buscou o equilíbrio, a segurança e a estabilidade. Vivendo em sociedades com regras claras e padrões estabelecidos, o principal objetivo da grande maioria sempre foi o ajuste às normas e aos princípios ditados por tais sociedades.

Nascer (de preferência em uma família “normal” com pai e mãe bem casados); passar a infância como uma criança “normal”, com amiguinhos, escola, festinhas, etc.; tornar-se um adolescente engajado e “por dentro” dos acontecimentos; entrar para uma faculdade de renome; formar-se; conseguir um excelente emprego (com status e bom salário); adquirir patrimônio; formar uma nova família; ter filhos; cuidar deles; e por aí vai: o ciclo de repete. Preferencialmente, sem muitos atropelos, acontecendo naturalmente.

Estas etapas nos são ensinadas por nossos pais. É o que eles gostariam que acontecesse. Infelizmente, podemos contar nos dedos quantas pessoas têm uma trajetória tão retilínea como esta... Principalmente, nos tempos atuais, tão afetados por mudanças bruscas e amplas... Um tempo que parece correr mais do que o relógio e que exige, cada vez mais, habilidades para acompanhá-lo sem “perder a cabeça”.

Assim, quando nos deparamos com uma situação confortável e próxima àquela que traçamos para nossas vidas, sentimo-nos aliviados, tranqüilizados e felizes. Acreditamos ter conquistado mais uma das etapas “normais” que nos foram ensinadas. Pensar em sair desta zona de conforto nos causa arrepios. Afinal de contas, não foi nada fácil chegar neste ponto! Por isto, qualquer fato que venha para alterar esta situação estabelecida nos causa medo; angústia; insegurança; preguiça; desânimo; desequilíbrio e outros sentimentos nada agradáveis.

Infelizmente, temos uma tendência inconveniente de “dar mais ouvido” às coisas negativas e aos fracassos. Ao nos depararmos com uma situação qualquer que exija uma transformação da situação, sempre nos lembramos de algo parecido que aconteceu com alguém e que não deu certo! Incrível! O que foi positivo não vem à tona, mas os fracassos aparecem na hora. É o comodismo e a insegurança falando mais alto, principalmente, se estivermos, ao menos, confortáveis naquele momento. Esta insegurança é tão assustadora que pode nos cegar: já havíamos até pensado em mudar um pouco o presente, mas, quando a oportunidade surge, nos retraímos e esquecemos tais pensamentos. “É melhor ficar do jeito que está...”.

Entretanto, resistir às mudanças e às transformações pode significar incontáveis perdas. Podemos perder oportunidades que não mais surgirão: conhecer novas pessoas; aprender mais; conquistar um novo cargo; conhecer lugares; experimentar novas sensações... É o preço que se paga por resistir ao novo e desconhecido.

Assim como em nossa vida pessoal precisamos ousar, em nosso trabalho não deve ser diferente. Por vezes, é necessário que se mudem procedimentos, estruturas e estratégias básicas para que a empresa possa evoluir e delinear o seu futuro. É o chamado desafio da mudança. Este desafio é árduo e exige esforços de todos na organização. É preciso uma boa estratégia para que estas mudanças tenham efeitos benéficos. Não podem ser impostas; precisam ser bem planejadas e explicadas claramente aos indivíduos.

A peça fundamental neste processo de mudança na empresa é o gestor, sendo relevante o estilo que ele adota junto ao grupo. Antes de tudo, o gestor precisa quebrar suas próprias resistências, conhecer seu ambiente, mudar sua mentalidade. É indispensável para a liderança eficaz que o líder esteja preparado para quebrar paradigmas; seja flexível às constantes mudanças; que se livre de preconceitos culturais, étnicos ou religiosos; tenha uma mente aberta para conviver com diferentes hábitos culturais, valores, costumes, tradições, comportamentos éticos; enfim, que seja capaz de respeitar idéias e opiniões diferentes das que ele já possua ou já tenha vivenciado. Junte-se a isso a habilidade em resolver problemas em conjunto e administrar diversos tipos de conflitos, exercendo uma liderança educadora que busque o desenvolvimento de elementos motivacionais em seus colaboradores, preparando e estimulando o grupo para o processo de mudança organizacional.

A alta e crescente competitividade não está deixando lugar para gestores “à moda antiga”, com estilo individualista, autoritário e inflexível. Entretanto, ainda são mais comuns do que gostaríamos. A falta de capacitação; a inércia de algumas organizações; o paternalismo; a falta ou pouca visão dos acionistas; funcionários intimidados e acomodados que se sujeitam ao estilo antigo; enfim, existe uma série de fatores que ainda permite a existência de gerências arcaicas e pouco produtivas.

Felizmente, tanto as organizações quanto os seus colaboradores já perceberam a ineficácia de posturas gerenciais tradicionais que podem se mostrar eficientes em determinados aspectos, mas que não asseguram a sustentabilidade e o crescimento da instituição. Assim, tanto quanto o mercado muda velozmente, as organizações já demandam líderes engajados com este movimento contínuo e crescente; líderes que valorizam as pessoas e sabem que é através delas que os resultados são atingidos.

E você? Como está enfrentando este cenário? Com sensatez, estratégia, equilíbrio e desenvoltura ao lidar com as situações de mudança? Se a resposta for sim, parabéns! Você está no caminho certo! Se for não, quebre os paradigmas e mude! Ouse! Garanta a sustentabilidade do seu negócio e, consequentemente, o seu lugar no mercado!

Por Adriana Duarte, gerente IDEAGRI.

Referências Bibliográficas

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de pessoas: e o novo papel nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

KOUZES, J. M., POSNER, B. Z. O desafio da liderança. 2 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

WAGNER III, John A.; HOLLENBECK, John R. Comportamento organizacional: criando vantagem competitiva. São Paulo: Saraiva, 2002.

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