Fazenda Santa Luzia - Fábrica de leite

A reportagem sobre a Santa Luzia, publicada na Revista Globo Rural, destaca os investimentos da fazenda mineira em genética de ponta, irrigação e ordenha de carrossel para produzir 35 mil litros por dia. O texto, de Eliane Silva e Sebastião Nascimento, foi replicado parcialmente nesta matéria. As fotos são de Ricardo Benichio. Além de conhecer um pouco da história da fazenda e da seleção do Gado Girolando - que tem foco na seleção de animais com muita rusticidade, longevidade e sobretudo com elevada produção de leite, confira, também, o convite para reservar o dia 28 de abril de 2018 para a 17ª edição do esperado leilão da fazenda. A Fazenda Santa Luzia é parceira e usuária do IDEAGRI. 

 

 

 

 

 

 

 

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Maurício Silveira Coelho, na Fazenda Santa Luzia, em Passos (MG)

De carro de boi, a família de João Coelho Paim, ou melhor, Joãozinho Cabo Verde, chegou à Fazenda Santa Luzia, na cidade mineira de Passos, em 1943, cujo apelido veio de seus antecedentes quando migraram, da cidade de Cabo Verde, distante 130 km à procura de emprego, para Alpinópolis. Se fixaram na região, trabalhando em fazendas.

Hoje, Santa Luzia, nome dado em homenagem à Santa, que tem um oratório na sede da fazenda desde aquela época, é uma das maiores produtoras de leite do país, com 35.000 litros por dia e faturamento anual de R$ 24 milhões, sendo 25% proveniente da venda de animais. A fazenda deu origem ao Grupo Cabo Verde, um dos grandes do agronegócio da região. Além do leite, o grupo produz café, milho, soja, suínos e gado de corte, com fazendas em Minas e no Pará.

Um dos segredos da Santa Luzia é o investimento em seleção genética, com adesão ao Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando. A reprodução é 100% FIV (fertilização in vitro). As doadoras de oócitos são as 10% melhores vacas girolando da fazenda e um grupo de matrizes gir de alta produção de leite que vêm da São José do Can Can, gerida pelo patriarca do grupo, José Coelho Vitor, filho de Joãozinho Cabo Verde. O material aspirado das vacas recebe sêmen sexado importado para a formação de embriões meio-sangues e três quartos, que são implantados nas vacas leiteiras produtoras da fazenda. O sistema garante uma grande produção de bezerros, dos quais 87% são fêmeas. A inspiração para o uso da tecnologia vem de longe: na década de 1960, José Coelho foi um dos pioneiros na técnica de inseminação no país.

Além da FIV, o conceito de bem-estar animal, inovações tecnológicas, práticas sustentáveis e o arrojo nos investimentos caracterizaram a propriedade de 900 hectares, comandada desde 1990 por Maurício Silveira Coelho, da terceira geração da família “Cabo Verde”. Há quatro anos, o grupo decidiu investir mais na produção e leite, com a compra de três pivôs centrais, dois deles com capacidade para irrigar 65 hectares de pasto que alojam 750 vacas e o terceiro para a área de recria.

Em 2015, importou uma ordenha giratória, ou carrossel, sistema mais eficiente da atualidade. Somado aos pivôs, o investimento foi de R$ 4 milhões. O equipamento veio da Nova Zelândia, com capacidade para ordenhar 40 vacas a cada dez minutos. “Foi o primeiro carrossel de vaca girolando do país com alimentação automática. Levamos mais de um mês para fazer a adaptação das vacas, mas a implantação foi um sucesso”, conta Maurício.

Duas vezes por dia, passam pelo carrossel 750 vacas. Enquanto esperam sua vez, elas ficam numa sala lotada de ventiladores gigantes e aspersores de água, usados para refrescar e diminuir o estresse animal. O sistema giratório identifica cada vaca, assim como sua produção. Durante a ordenha, os animais comem ração seca, fornecida de acordo com a média de produção de leite dos últimos sete dias. Segundo o fazendeiro, o carrossel permite uma ordenha mais rápida, limpa e com uso de apenas três funcionários. Mais 1.000 vacas em lactação passam por outra sala de ordenha tipo espinha de peixe, com leitura automática dos animais, fornecimento de concentrado e sala de refrescamento.

No total, a Santa Luzia abriga 6 mil animais, em sistema intensivo a pasto. Em média, cada vaca produz 20 litros por dia. A fazenda é dividida em piquetes de tamanhos variados, mas a maioria tem em média 1 ha e recebe, em torno 150 cabeças. Os animais que não estão apascentados debaixo dos pivôs pastam em piquetes sombreados por eucaliptos, que recebem irrigação por malha. A cada 12 horas, ou seja, a cada ordenha, as vacas mudam de piquete.

Em março, a fazenda inaugura um novo sistema. Estão sendo construídos dois galpões Compost barn com investimento da ordem de R$ 2 milhões. O plano é confinar 500 vacas por vez em dois momentos estressantes para o animal: no pré-parto e nos 60 dias pós-parto. “Com o sistema misto, esperamos aumentar a produção de cada vaca, em média, em 3 litros.”

A produção de leite da Santa Luzia passou de 9,3 milhões de litros, em 2016, para 10,3 milhões, em 2017. O plano é ter 2 mil vacas em lactação e chegar a 14 milhões neste ano (uma média de 40.000 litros por dia). Todo leite é vendido, há dez anos, para a Danone, com contrato bianual que paga o valor do litro pela cotação de Cepea nacional, retroativo a três meses, mais adicional de volume e de qualidade. Isso garante estabilidade ao negócio. Maurício conta que, no segundo semestre do ano passado, o preço do leite registrou uma queda abrupta, após um 2016 e início de 2017 muito bom, quando o produtor chegou a receber mais de R$ 2 por litro. “O preço despencou para R$ 1,20, ficando abaixo do custo de produção.” 

Escolinha do professor

Um galpão com sacos plásticos pendurados no teto e um rádio tocando música em alto volume guarda um dos segredos do sucesso da Santa Luzia, em Passos. No local, funciona um centro de treinamento de girolando, ou, traduzindo, um centro de doma da raça. O professor é José Mariano, que trabalha há 59 anos na fazenda e há cinco assumiu o novo cargo. A cada semana, ele amansa 15 novilhas. Usa no processo cordas e um “cotonete” (bastão longo com saco na ponta) para acariciar e coçar o animal e, até ter confiança e fazer isto com as mãos. O objetivo é que as vacas se acostumem com a lida do homem e com situações estressantes.

Maurício conta que a inspiração para a escolinha veio da necessidade de domar os animas para venda em leilão. “Após tentativas e erros, adotamos o conceito de bem-estar animal em todos os setores, baseados nas ideias da americana Temple Grandin. Nosso objetivo inicial na ordenha era tirar 100% a ocitocina (hormônio usado para liberar mais rapidamente o leite da vaca), mas, com as vacas mansas, conseguimos também reduzir muitas perdas em todo o processo.”

Os 80 funcionários da fazenda, que tem baixíssima rotatividade, são treinados em bem-estar animal. Duas vezes por ano, eles passam por curso de reciclagem. No bezerreiro, com capacidade para 500 animais, chama a atenção a atitude de Marluce Alves Pereira, responsável pelo setor há cinco anos.

Na maternidade, os filhotes também recebem o carinho do tratador Marco Paulo dos Santos, membro da terceira geração da família que trabalha na fazenda. Além dele, trabalha também o seu pai, mais seis irmãos. Valdenir Castro Soares, gerente há 12 anos, diz que a equipe de funcionários é como um time das antigas, “daqueles que jogam pela camisa.”   

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Bezerro sendo alimentado por trabalhadora

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Ordenha em carrosel

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Grupo de piquete irrigado na Fazenda Santa Luzia, em Minas

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Animais sendo alimentados no cocho

  Save the date


Confira a entrevista, realizada durante o programa Pecuária em Alta, exibido pelo canal Terra Viva, onde o pecuarista Maurício Silveira, da Fazenda Santa Luzia conversa com o Gerente de Leite Nacional da Alta sobre o trabalho que desenvolve na fazenda Santa Luzia e sobre o uso do IDEAGRI na fazenda: