Flávio Guarani - O Guardião do Ouro Branco
Programa criadores: leia o conteúdo completo ou assista o programa sobre o mineiro Flávio Guarani, que é conhecido pelo seu espírito empreendedor. Acionista do Banco Mercantil do Brasil o empresário foi proprietário da Refrigerantes Minas Gerais, fabricante da Coca-Cola no estado mineiro. Embora já tenha tido o seu nome ligado a diversos setores, Flávio não conseguiu esquec er as r aízes e resolveu investir no que lhe dava prazer. A adolescência do empresário foi na fazenda do pai, em Esmeralda, no interior de Minas Gerais. E foi lá que ele teve o seu primeiro contato com o Gado de Leite. Em 1995 iniciou um grande projeto na Fazenda São João. Na época, o setor leiteiro vivia mais uma crise e poucos acreditaram no projeto de Flávio. Hoje, ele é um dos maiores produtores de leite do Brasil. Por todo este histórico de vida é que a nossa equipe arrumou as malas e foi em busca dos detalhes de mais esta trajetória de vida. Então, não perca o episódio, “O Guardião do Ouro Branco”.

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Flávio Guarani (FG): "Não havia um regulamentação grande para o leite e era uma lei de um mercado muito ingrato. Era muito fácil ter meia dúzia de vacas, tirar uns 50 litros e entregar e o restante de qualquer forma. Então, qualquer coisa que era branca e servia mais ou menos leite ia embora naqueles latões. Existe uma diferença entre você produzir e ter condições de produzir."
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FG: "Pecuária não é nada mais do que uma agricultura com uma máquina que transforma o produto agrícola em leite e essa máquina é a vaca. Hoje nós estamos com 3.100 animais. Nós já atingimos 52.000 litros por dia. Eu quero fazer uma agricultura realmente exemplar."
FG: "Meus avôs paternos, os avôs homens, eram advogados, todos os dois. Meu avô paterno veio de Ouro Fino, região de Paraisópolis, onde o meu pai nasceu. Meu avô materno veio da região de Diamantina, também antes da fundação de Belo Horizonte. Eles iniciaram a vida aqui em Belo Horizonte, se casaram aqui também. Meu pai nasceu em Paraisópolis, mas veio com 2 anos para cá."
Luiz Otávio de Melo Carvalho: "O Flávio vem de uma família tradicional, mineira. Sempre foi um menino absolutamente normal, como eu. A gente gostava das mesmas coisas, bem originais, quer dizer, as moças, gostava de carro, gostava de comer bem, beber bem, gostava de fazer serenata no tempo que podia. A gente fez muita serenata junto. E realmente, o Flávio é da minha idade, nos tivemos assim 20 anos de infância e juventude de muita alegria. Nós nos divertimos mesmo."
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FG: "Tem até uma curiosidade a respeito do meu nome, Flávio Guarani. O meu avô chamava-se Cincinato Gomes de Noronha e ele gostava muito de assoviar a música do Carlos Gomes, o Guarani, e eles puseram o apelido nele, na Universidade, de Guarani, e ele incorporou o nome. Então o Noronha Guarani começou com ele."
Sérgio Danilo Pena: "Eu era criança. Eu morava em um bairro diferente, de vez em quando ia na casa dele. A mãe do Flavio, a Dona Anícia sempre foi uma pessoa muito sofisticada, de estirpe e era curioso que eu ia na casa do Flavio nas festas de aniversário dele a D. Anícia sempre servia umas balas de licor, a gente detestava aquelas balas que você mordia e tinha licor dentro, então, toda festa na casa dele acabava virando uma guerra de bala de licor, a gente usava aquilo para jogar um no outro."
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FG: "A primeira coisa que eu quis ser na vida era pipoqueiro, naturalmente que criança pensa assim, se eu tiver fome, como pipoqueiro eu vou comer pipoca o dia inteiro. Mas eu, aos 12, 13 anos eu ganhei um laboratoriozinho de química, e eu comecei a trabalhar neste laboratório, brincar, fazer experiências, e fiquei tão entusiasmado que comecei a comprar livros e a comprar produtos químicos que se comprava antigamente muito em farmácia e desenvolvi um gosto muito grande pela química."
Luiz Otávio de Melo Carvalho: "O pai dele, Antônio Luís, era um camarada assim que começou muito de baixo, muito empreendedor e tal, e conseguiu feitos fantásticos na vida e tal e ele era um grande empreender de Belo Horizonte, sempre foi. O Flávio tinha uma irmã que faleceu, faleceu já há muitos anos, então ele é filho único."
FG: "Naquela época o filho seguia a vontade do pai. E meu pai tinha muita vontade de ser engenheiro, acho que eu também fui dirigido a ser engenheiro por ele, apesar de eu gostar muito de ser advogado, acho que eu teria tido mais sucesso como advogado. Meu pai começou como bancário, trabalhava no Banco da Lavoura. O primeiro cargo do meu pai foi Office-boy, trabalhou como Office-boy no Banco da Lavoura e chegou a gerente. E 1948 ele foi convidado para sair e montar um Banco, comprar um Banco junto com outros colegas, que eram também do Banco da Lavoura. Eles saíram, ele, em uma certa dificuldade, por que não tinha patrimônio, não tinha dinheiro suficiente, ele passou vários anos pagando aquela ousadia dele. Foi o que é hoje o Banco Mercantil que era um banco de Sete Lagoas, originalmente, depois passou para Banco Mercantil de Minas Gerais e Banco Mercantil do Brasil que tem até hoje."
Luiz Otávio de Melo Carvalho: "Ele começou participando dos negócios do pai, como todo filho de empresário participa dos negócios do pai."
FG: "Eu comecei a trabalhar no Banco Mercantil quando eu tinha 14 anos, como escriturário, depois eu não tinha realmente muito queda para este tipo de trabalho. Então eu fui para a Coca-Cola."
Luiz Otávio de Melo Carvalho: "A Coca-Cola é uma herança paterna também. Foi o pai dele que iniciou, foi pioneirismo do pai dele. Ele montou esta fábrica, junto com alguns outros sócios."
FG: "Eu estava fazendo nesta época engenharia e me dei muito bem. Eu gosto muito de mecânica, eu gosto muito destas coisas, então, lá eu desenvolvi bem. Fiquei lá e depois trabalhei nesta área de manutenção, praticamente durante 35 anos. E até o ano 2000 nós tivemos esta franquia na família também, como mesmo grupo."
FG: "Meu pai tinha 2 paixões, a família e a fazenda. Ele tinha uma fazenda de lazer, ele nunca quis ter preocupação com a fazenda. Então, eu me acostumei a todo o fim de semana ir para a fazenda, ficava lá, andando a cavalo. Eu acompanhava ele, como filho único, acompanhava na criação de cavalos, na criação de gado também para tirar o leite, levava o leite em casa, diariamente."
Luiz Otávio de Melo Carvalho: "Há muito anos que o Flávio tem uma paixão por fazenda, A primeira fazenda dele, Baú, há muito tempo isso, a gente ia lá, eu nem sei se ele tem essa fazenda ainda, mas a gente ia lá e era muito divertido. Ele extraia bauxita ou uma coisa assim."
FG: "Uma vez meu pai me pediu, por influência de um amigo dele, que ele tinha um gado comum, que ele criasse gado Jersey. Ele pediu para eu arrumar para ele um gado, e aí teve uma pessoa que se entusiasmou com o gado, que foi a Huguette, e aí eu tomei gosto também. Mas a competência da criação é dela, não é minha não. Ela é quem foi a mentora de toda esta parte da Pecuária de Leite."
Huguette Guarani: "Eu entrei para o agronegócio junto com o Flávio. Ele fala que fui eu, mas ele não sabe que na verdade eu é que persigo os desejos dele vou apoiando no fundo no fundo. E daí a brincadeira que era uma coisa de criar vaca de exposição, participar deste meio de hobby virou uma coisa mais séria quando a gente se deparou com as dificuldades de realmente continuar o projeto."
FG: "Então, como nós estávamos montando uma coisa relativamente pequena, mas para poder sustentar a fazenda lá e poder dar um toque profissional à fazenda, um agrônomo, amigo nosso foi visitar e andou lá pela fazenda, e falou: "Escuta, vocês vão tirar comida para as vacas de onde?". Porque a fazenda do meu pai, primeiro, meu pai não deixava cortar uma árvore da fazenda, então, a fazenda era mais de 60% mato fechado, a topografia não ajuda em nada e realmente a gente não tinha experiência, a gente não sabia da dificuldade e vimos que não tinha realmente jeito para fazer, para ter a fazenda ali."
Luiz Otávio de Melo Carvalho: "Eu sei que daí ele continuou, nós fomos várias vezes à fazenda dele, até essa Fazenda São João, que é um espetáculo. A fazenda é um espetáculo, parece uma coisa de fora do Brasil, é um negócio muito bacana, muito bem feito."
FG: "Na hora que nós entramos pela fazenda, Huguette olhou a fazenda e apaixonou por ela, ela falou assim:"É essa aqui!"."
Huguette Guarani: "E quando a gente chegou no alto da montanha lá em cima, nem tínhamos entrado ainda na fazenda, e que eu vi aquela terra assim maravilhosa, aquele pasto, porque era puro pasto, e assim, não sei, meu coração..., foi amor à primeira vista."
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FG: "Eu não sei, assim foi aquela coisa de sentimento, porque a fazenda realmente era uma fazenda que estava sendo usada para gado de corte e que não tinha nenhum tipo de benfeitoria, não tinha nada, a não ser uma localização boa, uma topografia boa, mas nada que chegasse e pudesse se encantar porque ela não estava pronta."
Sérgio Danilo Pena: "Essa fazenda que ele montou, essa fazenda de leite é em Inhaúma, eu tinha ido lá umas duas vezes visitando. A fazenda dele é uma coisa, parece que você está assim nos Estados Unidos. As vacas com chips regulando a quantidade que elas comem, etc. Eu achei aquilo muito bacana. Geralmente o que o Flávio se mete a fazer ele faz muito bem feito, ele faz completamente e se dedica de corpo e alma."
FG: "O que me levou mais a optar por investir neste mercado assim de forma bem pesada, foi o espaço que eu via para crescimento. A implantação da fazenda realmente mostrou isso, nós vimos a dificuldade muito grande de arrumar mão-de-obra, de arrumar técnicos, conhecimento nesta área. Isso foi o que deu origem ao ReHAgro, que é uma empresa que foi criada por nós, que pudesse levar ao restante do Brasil e hoje a gente pode falar assim ao mundo, porque o ReHAgro já tem clientes fora do Brasil, na África e na América Central o conhecimento que foi desenvolvido aqui. Então hoje, os nossos, vamos dizer assim, escalões intermediários aqui, saem, muitas vezes daqui para serem gerentes de outras fazendas. Então aqui é quase como se fosse uma fazenda escola."
Huguette Guarani: "Receio, a gente realmente sempre tem um pouco. Nós vivemos em um país que hora nos surpreende com muitas mudanças. A gente sempre teve um pouco de receio, porque a gente sabe que é uma atividade muito desafiadora. Mas eu não percebi, assim, o Flávio, em nenhum momento, tendendo a voltar a ter dúvidas. Ele é muito otimista nas coisas. Eu acho que isso dava muita segurança no projeto e para a gente."
FG: "Quando a gente criava gado para Exposição: o gado registrado tem um afixo, ou é um prefixo ou é um sufixo. Nos tivemos procurando um nome, vamos dizer assim, que fosse um nome interessante, fizemos umas 2 ou 3 tentativas, 2 ou 3 nome que tentamos criar nós chegamos a esse nome True Type. True Type, para quem não conhece, é uma designação dada no mundo, em inglês, pelo americano, pelo canadense, para um animal que é considerado perfeito. Hoje é uma empresa, que é dona da Fazenda São João, que é também dona, como se fosse uma holding."
Huguette Guarani: "Para estar hoje onde a gente está, que segundo o Milk Point, estamos em 3º lugar no ranking de produtores, é uma somatória de muito esforço para começar, muita garra, acreditar muito nesse projeto."
FG: "Na procura de fazer a coisa certa, nós fizemos tudo planejado. Eu acredito que tenha sido a primeira fazenda no Brasil que nasceu no papel e que realmente foi toda montada antes de ter qualquer animal dentro dela."
Huguette Guarani: "O que eu acho que realmente nos diferenciou foi ter iniciado um projeto estruturado, estudado e a gente se cercou de pessoas muito capacitadas na época para nos ajudar a alavancar isso."
FG: "A fazenda São João hoje, está produzindo. Toda a produção vai para a Itambé, uma cooperativa que é também uma indústria. Hoje nós estamos com 3.100 animais. A nossa meta é conseguir 50.000 litros por dia. Essa média a gente pretende alcançar, com melhoria genética do rebanho, só nesta parte de aprimoramento, mas a fazenda pode chegar a 80.000 litros por dia."
Luiz Otávio de Melo Carvalho: "O que deixa ele feliz, é estar perto de amigos, conversando, batendo papo. O Flávio é muito simples, acho que ele é obcecado pela simplicidade, uma das coisas que ele curte. Acho que o Flávio é daquelas pessoas que, eu não sei, a impressão que eu tenho, nunca falamos sobre isso, mas a impressão que eu tenho é que ele não quer parar, eu acho que ele vai trabalhar até os 80 anos."
Huguette Guarani: "O Flávio sempre está feliz quando está fazendo alguma coisa para alguém. Sempre que ele vê que ele pode viabilizar a felicidade de alguém ele está mais feliz ainda do que essa pessoa."
FG: "Eu acho que a vida foi muito boa para mim. Eu só tenho a agradecer. A vida, seja de que forma ela tenha se apresentado para mim, eu acredito que eu tenha sido um privilegiado e eu acho que a pessoa tem que saber aprender e aproveitar as oportunidades que aparecem na vida, sem exagero. Se meu pai estivesse vivo, eu acredito que ele estaria aqui, assim, bem assustado com o tamanho da ousadia que o filho dele teve."

A Fazenda São João terá, a partir de agora, tourinhos à venda constantemente. São animais da raça Holandesa, de genética própria e de alta qualidade. Os preços de venda são bastante atrativos em relação aos preços de mercado. Os animais não são registrados, no entanto, são filhos de vacas de alta produção inseminadas com excelentes touros provados. Estarão à venda animais de 90 a 180 dias de vida, havendo disponibilidade para o atendimento de demandas específicas.
Outra grande novidade é o agendamento de visitas. As mesmas poderão ser marcadas todo primeiro e terceiro sábados do mês. A fazenda São João está aberta a visitas de grupos, bastando, para tanto, fazer a marcação pelo telefone.
Todos os contatos, para compra de animais ou agendamento de visitas podem ser feitos através do telefone: (31)3772-0488.
Clique aqui e visite o site da fazenda.

A True Type - Fazenda são João é parceira e usuária do IDEAGRI.