Gestão de fazendas: dicas para o sucesso da propriedade, por Marcelo Marcondes

Hoje, a margem de lucro na pecuária está cada vez mais estreita devido aos altos riscos técnicos e de mercado. Portanto, para garantirmos resultados positivos é necessário investir principalmente em genética, gestão de custos, gestão de riscos e correção de solos, aumentando a capacidade de suporte de animais na propriedade e, assim, obtendo mais desfrute.

É importante que o pecuarista registre a produção de volumosos nas pastagens (e fique atento aos custos de cada pasto reformado), evitando que os custos aumentem mais do que os preços recebidos. É importante obter os índices de produtividade, fertilidade, natalidade, peso ao nascimento e ganho de peso. Como esses controles envolvem inúmeros detalhes, vale a pena iniciar o processo de maneira simplificada.

Sobre a genética, deve-se pesquisar os animais que se adaptam melhor à região, escolher sêmen de touros provados nas questões: precocidade e habilidade materna - sempre pensando que o animal precoce come igual a um animal sem genética, mas que morre com menos idade e mais peso. Nunca podemos nos esquecer do uso de bons produtos, como: sal mineral, vermífugos, vacinas, etc, produzidos por empresas conceituadas no mercado.

Em relação ao controle de custos, o nível de detalhamento deve ser alinhado com os resultados que se espera obter. Por exemplo, a classificação das despesas devem abranger tanto custos quanto investimentos: currais, corredores, cercas, bebedouros e mecanização. Outro ponto importante é o controle dos inventários. As análises devem ser realizadas periodicamente. Assim, pode-se fazer no final do mês, por exemplo, o custo total da infraestrutura da sua empresa. Na minha propriedade, por exemplo, os animais engordados a pasto formam lotes homogêneos de peso, era e raça.

O mercado do boi gordo vive um momento otimista, embora neste ano não tenhamos observado valorizações como as do passado. Os patamares atuais, tanto do boi gordo como de reposição, são historicamente bons. E, neste momento de otimismo, é preciso ainda mais atenção aos custos. Uma injeção de capital na produção de bezerros melhorados pode não ter o retorno esperado, mas, com certeza, com a diferença genética, vamos ter um retorno maior na venda do boi gordo, caso o mercado afrouxe nos próximos anos.

Enquanto o mercado do boi gordo oscilou abaixo, próximo à inflação no período, os índices de custo se mantiveram acima. Isto indica como a rentabilidade tem encolhido nos últimos anos. Por isso, acho que temos que produzir mais, na mesma área, com o menor custo possível. Não é uma opção fácil, mas a única para quem quer se manter na atividade.

Outra coisa que temos que pensar é na valorização da terra e da pressão contra a abertura de novas áreas. O aumento de escalas, obrigatoriamente, passa a se dar através da incorporação de tecnologia e aumenta a necessidade de uma gestão eficiente, pois é necessário angariar recursos, saber onde investir e, depois, avaliar os resultados. Não tem segredo, é preciso ter números na mão (técnicos e econômicos) e utilizá-Ios nas tomadas de decisões.

Já a gestão de risco é especialmente importante, pois os preços das commodities (no caso do boi) são impactados por uma série de fatores que podem surgir de surpresa. Nas atividades de recria e engorda, a gestão de risco é essencial, pois o sucesso do negócio depende mais da parte comercial (comprar e vender bem) do que da técnica. É preciso, portanto, conhecer as ferramentas de "hedge" disponíveis (termo futuros e opções), acompanhar o mercado e aplicá-las com segurança. Lembrando que gestão de risco sem gestão de custo não funciona, pois, para realizar o "hedge", a primeira informação básica é qual e o custo de produção. As coisas se interligam.

No caso mais tradicional (engorda a pasto), cada despesa deve ser armazenada, respeitando as mesmas informações como: data, fornecedor, valor da compra, valor unitário do insumo e quantidade, diferente do caso da infraestrutura. Aos produtos usados na engorda a pasto:, sais minerais, núcleos, concentrados, produtos veterinários, salário dos vaqueiros, reforma de uma cerca, porteira e cocho, temos que somar o que a engorda gastou no ano (inclusive aluguel de pasto, mesmo sendo pasto próprio) para estar com as contas corretas. Só assim conseguiremos observar onde é possível abaixar os custos. No caso de uma fazenda que trabalha com confinamento, o produtor já sabe o quanto o boi vai comer e, se puder fazer compras antecipadas para baratear os custos, é melhor. Hoje, existem ferramentas como trava das arrobas no mercado futuro, que varia de R$ 1,00 a RS 2,00 por arroba. Por exemplo, trava-se a arroba a R$ 100,00 e ela cai para R$ 90,00, você esta protegido; se a arroba for a R$ 110,00, você participa do lucro. Esta ferramenta tem sido cada vez mail usada na pecuária.

Volto a insistir na minha visão sobre gestão de pecuária: a genética faz a diferença. Neste ponto, os produtores antecipam as novilhas para entrarem em estação de monta, os bois saem mais cedo a pasto, no caso de confinamento; juntando à genética, a conversão diária e o ganho de peso serão muito superiores aos que vemos em confinamentos com bois de piores carcaças e sem raças definidas.

O associativismo é fundamental na sociedade moderna, porque, para vencer as intempéries, as dificuldades financeiras, os desafios profissionais, as flutuações, inclusive do câmbio, e até os altos custos de produção, é necessária a colaboração de vários associados. A Associação dos Produtores do Vale do Araguaia (APROVA), da qual faço parte, tem como maior característica a união de pecuaristas goianos e paulistas que atuam no Vale do Araguaia. A união tem como objetivo fortalecer a pecuária de corte na região.

É preciso ter uma meta em comum, ou seja, comprar bem os insumos, vender a nossa genética com animais diferenciados (que é uma exigência cada vez maior dos importadores). Assim, pelo volume negociado, temos conseguido com os frigoríficos parceiros um diferencial muito bom no prego da arroba (estes contratos são anuais). Por exemplo, um produtor que abate 400 bois no ano tem conseguido o mesmo preço de um que abate 15.000 mil. Nosso objetivo é que "o pequeno vire grande" nas compras de insumos e, o principal, na venda dos seus produtos.

Fonte: Revista Pecuária Corte, nº3, ano 01.

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