Gestão financeira e econômica – que “bicho” é esse?

Algumas perguntas sempre afligem os pecuaristas; “A atividade é viável em minha propriedade?”, “Faltará dinheiro para custear as atividades de minha propriedade no próximo ano?” Alguns leitores podem, em uma análise rápida, pensar que as duas perguntas são idênticas porém, por mais estranho que pareça, uma empresa pode ter “dificuldades de caixa” e ser lucrativa, assim como uma propriedade pode gerar caixa em um ano e não ser lucrativa.

As respostas para as duas perguntas partem de análises diferentes, a primeira exige análise de “custos” (Regime de Competência) e a segunda análise de “caixa” (Regime de Caixa).


Entendendo as respostas das duas primeiras perguntas pode-se então trabalhar a resposta para uma terceira pergunta “o que fazer para comercializar minha produção obtendo lucro sem ter problemas de caixa"?


Ao utilizarmos ferramentas da gestão econômica como custo de produção e da gestão financeira como o fluxo de caixa, seremos capazes de gerar informações relevantes, consistentes e ágeis para a tomada de decisão do empresário.

Custo de produção:


A palavra custo apresenta diversos significados, segundo Bruni (2006) uma das explicações para tantos sentidos seria o fato que os procedimentos de cálculo e gestão de custos encontram-se na interseção de duas contabilidades: a financeira (obrigatória, legal e com objetivos fiscais claros); e a contabilidade gerencial (que gera informações utilizadas pelos gestores nas empresas).


Para melhor compreensão dos custos de produção, são brevemente definidos alguns conceitos utilizados pelos profissionais da área:


- Gastos: Martins (2000) conceitua gasto como todo sacrifício financeiro com que a entidade arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer.

- Custos: são fatores empregados estritamente nos fatores de produção que se transformam diretamente em produtos destinados á venda.

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Exemplo: Custo de Reposição

- Despesas: esse conceito é empregado para identificar os gastos não relacionados à produção, mas que possibilitam a mesma, ou seja, os gastos ligados às atividades gerencias da empresa. (WERNKE, 2005)

Tal distinção pode parecer redundante e sem sentido, entretanto permite aos gestores separar os gastos que se transformam em produtos (custos) e os que propiciam o processo produtivo, mas não se transformam em estoques (despesas), garantindo rastrear com mais facilidade onde estão os gargalos da empresa.

- Investimento: são os gastos que possibilitarão a continuidade do processo produtivo por mais de um ciclo de produção.
Eles serão ativados, ou seja, “armazenados” separadamente e consumidos de maneira gradual ao longo de seu período de utilização (vida útil).

- Depreciação: a perda de valor que um determinado bem sofre pela ação do tempo de uso e/ou obsolescência (SANTOS,2001).

-Custo de oportunidade: é um valor apurado de maneira relativa, já que pressupõe uma comparação com outra aplicação possível para os recursos.


Essa comparação deve ser realizada entre alternativas equivalentes, principalmente em relação a riscos inerentes às mesmas. (LAPPONI, 2007)


Conhecer os custos de produção é uma condição fundamental para a correta gestão de uma empresa, independente de qual tipo seja. As empresas rurais não podem ser diferentes, pois a mesmas estão inseridas em um mercado competitivo e dinâmico, no qual a distancia que separa uma situação de lucro de uma de prejuízo é cada vez menor.


Fluxo de caixa:

O fluxo de caixa é a relação das entradas e saídas de recursos financeiros em determinado período, visando prever a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes em operações que sejam rentáveis.

Objetiva:

- Prever os períodos em que haverá necessidade de captação de recursos para saldar compromissos e dividas assumidas seja por meio de financiamento, produtos do mercado de derivativos, ou venda da produção;

- Permite um período mais amplo para tomada de decisões, já que identifica as necessidades de capital que poderão ocorrer;

- Oportunizar maior margem de segurança, devido ao maior planejamento.

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Exemplo de Fluxo de Caixa Diário. Fonte: IDEAGRI.


A elaboração do fluxo de caixa deve buscar a perfeição para que o administrador possa embasar seu plano de ação, que quando mal fundamentado pode ocasionar resultados não satisfatórios, como por exemplo, a insolvência (incapacidade de pagar as contas no vencimento).


As análises de custo e caixa devem ser realizadas de maneira complementar e assim contribuir com o bom planejamento, controle contábil e financeiro da empresa rural.


1) A análise de custo indicará a capacidade da empresa em gerar lucro e direcionará o processo de comercialização, pois sabendo o custo real do seu produto podem-se analisar melhor as opções de vendas.

2) A análise de caixa indicará quando a empresa precisará de dinheiro e quanto precisará, com isso os gestores poderão programar a comercialização da produção, evitando atrasos nos pagamentos;
a capitação de dinheiro de terceiros também será mais eficiente, pois será fundamentada em planejamento prévio, com consequentes menores taxas de juros. Por fim, pela análise de caixa os saldos positivos também serão aplicados com mais eficiência, pois a programação de investimentos é fundamental para o sucesso dos mesmos.