Pecuária: Em busca de uma produção mais rentável

A adoção do sistema de confinamento para a produção de gado de corte tem sido uma estratégia dos criadores para aumentar a lucratividade em tempos de altos custos da ração animal e, também, da falta de espaço para a implantação de uma pecuária extensiva, a pasto. No Paraná, esse sistema de produção tem ganhado cada vez mais adeptos devido à redução do tempo de abate dos animais. De acordo com dados da Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), o estado está em 7° lugar no número de confinamentos do País.

Em 2012 a Assocon contou, no Paraná, 35 confinamentos validados pela entidade, chegando a representar 2,64% do rebanho confinado no Brasil. O número ainda é pequeno perante os Estados de Goiás e Mato Grosso, que representaram, respectivamente, 26,43% e 25,42% do número de animais criados nesse sistema. De acordo com Bruno Andrade, gerente executivo da entidade, o confinamento paranaense está inserido, principalmente, no modelo estratégico, ou seja, o pecuarista confina o seu próprio gado, diferente do sistema comercial, quando o criador compra animais de outros produtores para fazer somente a terminação, ou seja, a engorda.

Mas para toda regra sempre há uma exceção. O pecuarista André Carioba, de São Sebastião da Amoreira (Norte), percebeu, no modelo comercial, uma ótima oportunidade de negócio. O criador é considerado um exemplo de que o confinamento é a forma mais rentável de produzir gado de corte. Com um conjunto de 36 piquetes, o produtor destina para o frigorífico em torno de 200 animais por semana, o que garante a ele uma renda contínua. Carioba explica que, a cada 85 dias, período de engorda do boi magro, entra dinheiro no caixa da fazenda.

Carioba salienta que, atualmente, a rentabilidade do sistema está menor, devido aos elevados preços dos farelos de soja e milho. Para tentar solucionar esse problema, a Fazenda Cachoeira investiu na produção própria dessas duas commodities para a produção de silagem. Com essa iniciativa, o produtor destaca que reduziu os seus custos de produção. Segundo ele, cada animal alojado gera um gasto que pode variar de R$ 800 a R$ 1 mil, até o abate. "Se fosse comprar matéria-prima para a silagem, o gasto seria bem maior", revela Carioba, sem mencionar o valor.

"Trabalhamos com confinamento desde 1980 porque nosso foco é a busca constante da rentabilidade", observa Carioba. Ao todo, o pecuarista possui quatro hectares de área de engorda dos animais. "Direcionamos uma área de 600 hectares para produção de alimentos. Fazemos, aqui, cria, recria e engorda de bois de todos os tipos de raças", destaca. O criador enfatiza que o grande problema dos pecuaristas que reclamam que a atividade só dá prejuízos é porque não investem no setor produtivo.

Ricardo Maia - Folha Web