Suplemento extra - Vitrine Tecnológica DBO

Confira o suplemento especial do projeto Vitrine Tecnológica, que acompanha, em sete edições da revista Mundo do Leite, o passo a passo das Fazendas São José e Gurita para elevar a produtividade dos rebanhos. O projeto é fruto de parceria com o Rehagro. As fazendas são parceiras e usuárias do IDEAGRI.

Fazenda da Gurita

Um expediente comum no inverno, quando a chuva escasseia, tem sido usado em pleno verão na Fazenda da Gurita, em Bom Despacho, MG, de propriedade do pecuarista Paulo Gontijo. Sob orientação dos técnicos do Rehagro, o médico veterinário Vítor Barros e o engenheiro agrônomo Fábio Corrêa — dentro do Projeto Vitrine Tecnológica, parceria do Rehagro com a Mundo do Leite —, as vacas da Gurita têm recebido, como alimento, além do pasto, ração e cana picada no cocho. Nesta época do ano, conforme explica Vítor Barros, a dieta mais adequada seria pasto como volumoso e ração (com milho, soja, polpa cítrica e minerais) como concentrado “Como a oferta de pasto está baixa por causa da falta de chuva, estamos dando cana para as vacas dos lotes de menor produção para completar a exigência de forragem delas, mesmo sabendo que, no verão, a cana tem menor qualidade”, explica Barros, que continua: “Além disso, colocamos as vacas de maior produção nos piquetes de pasto que estão melhores e, assim, elas mantêm a produção leiteira.”

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Além de ração no cocho, vacas têm recebido, na Gurita, cana picada em pleno verão.


Esta providência tem garantido que as 210 vacas em lactação do rebanho da Gurita mantenham a média de 19 litros de leite/dia, totalizando 4.000 litros/dia. “Numa situação dessas, sem dar cana no cocho, o normal seria a média baixar bastante, mas com esse manejo conseguimos mantê-la”, diz Barros, assinalando a prova de que uma boa gestão do dia a dia da propriedade resulta em lucros.

Outra prova dessa boa gestão diária é a observação constante dos pastos e a colocação das vacas de maior produção nos piquetes que apresentam melhor condição. “Não estamos seguindo uma regra rígida de rotação de piquetes”, explica Barros. “Observamos no dia a dia qual deles está melhor e é para lá que as vacas vão.”

Mesmo com as chuvas muito aquém das médias históricas na região, a Gurita prosseguiu com parte do planejamento, de plantar 12 hectares de cana, em dezembro do ano passado. Além disso, já preparou 8 hectares para plantar tifton. O plantio foi iniciado, mas não pôde prosseguir por causa da estiagem fora de hora. “Nós já esperávamos um veranico nesta época do ano, mas não com essa intensidade”, pontua Vítor Barros, explicando que a Gurita tem, por meta, ampliar as áreas de pastejo com este módulo de tifton. Atualmente, a fazenda dispõe de três módulos, sendo dois de tifton e um de mombaça. “A ideia, porém, é fazer o plantio sem falta ainda no verão deste ano”, finaliza o médico veterinário.

Fazenda São José

Já na Fazenda São José, de Bonfim, MG, de propriedade de José Alexandre e orientada pelos técnicos do Rehagro, o médico veterinário Emane Campos e o engenheiro agrônomo Breno Araújo, a falta de chuva também tem provocado atrasos no cronograma. Segundo Ernane Campos, apesar de ter chovido em janeiro, o volume foi equivalente a apenas 30% do volume histórico para esta época do ano. “Plantamos o pasto de tifton só no dia 15 de janeiro, quando intencionávamos plantar em outubro do ano passado”, relata Emane Campos. “Agora, (dia 10 de fevereiro) ele está brotando e estamos esperando passar 30 dias do plantio para fazermos a primeira adubação de cobertura para dar mais vigor ao pasto e o capim fechar mais rapidamente”

Nesta adubação de cobertura, feita com nitrogênio e potássio, não entra o fósforo, que já foi aplicado na preparação do solo e no sulco de plantio. “Usamos um adubo 20-0-20 e vamos aplicar 250 quilos por hectare, baseado na análise de solo e de acordo com a recomendação do agrônomo”, diz Campos. “Quando preparamos o solo e aplicamos esterco de galinha, suprimos boa parte da necessidade de fósforo detectada pela análise de solo”, diz Campos.

A área plantada com tifton da Fazenda São José equivale a 3 hectares. Mais o 0,5 hectare que foi reservado à formação de mudas, a propriedade totaliza, até o momento, 3,5 hectares da gramínea. Como o clima não tem ajudado no desenvolvimento do pasto recentemente plantado, Campos acredita que ele estará no ponto de uso somente no fim de março, e numa lotação certamente menor do que a prevista anteriormente. “Estávamos pensando em por quatro a cinco cabeças por hectare, mas vamos ter de trabalhar, inicialmente, com duas a três”, diz. Quando, porém, o pasto atingir o auge do seu potencial, provavelmente no próximo período das águas, em 2014/2015, a lotação deve ser de 13 animais por hectare durante o verão. Por enquanto, a área que vem sendo utilizada somente por vacas em lactação é aquela que antes se destinou à formação de mudas, de 0,5 hectare. “Estamos colocando ali cinco vacas para pastar”, diz Campos. O restante do rebanho continua nas áreas de pasto. De todo modo, a produção diária não se sustentou, por causa do clima, baixando de 270 litros por dia para 220 litros por dia.

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Cana-de-açúcar foi plantada em 1 hectare da Fazenda São José; apesar da falta de chuvas, gramínea brotou bem.


Outra providência tomada com as chuvas foi o plantio de mais 1 hectare de cana-de-açúcar, o que resultará num total de 2 hectares de cana na propriedade. A cana foi plantada por volta de 20 de dezembro, relata Campos. “Plantamos antes, mesmo com pouca chuva, porque sabemos que a cana resiste mais à falta de água”, diz ele, acrescentando que o canavial já foi adubado 30 dias após o plantio e está com bom aspecto, embora pudesse estar melhor, o que não ocorreu por causa das chuvas irregulares. “Se, porém, tivermos boas chuvas no fim de fevereiro e março, acredito que o canavial vai ficar vigoroso. Além disso, assim que voltarem as chuvas vamos fazer uma aplicação de herbicida para controlar o mato.”

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Reportagens da série: