Fluxo de caixa em pecuária de corte

O fluxo de caixa é uma ferramenta da gestão financeira de grande importância. Confira, no artigo, características peculiares de seu uso na Pecuária de Corte. É possível visualizar as dimensões de diversas unidades como, por exemplo, a moeda, o valor, o tempo e o sentido.

Veja a seguir um gráfico exemplificando a evolução de um saldo acumulado de caixa e suas respectivas dimensões.

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Este artigo tem como objetivo discutir os desafios que existem na gestão do fluxo de caixa em sistemas de produção de pecuária de corte e, posteriormente, apresentar algumas ferramentas que podem auxiliar esta gestão.

Inicialmente, cabe descrever o conceito de fluxo de caixa, que é representado pelo momento de entrada e saídas de recursos monetários em um determinado período, que pode ser um ano contábil ou um ano agrícola. Com o fluxo de caixa é possível acompanhar dia-a-dia a situação financeira da empresa rural, ou seja, o valor em reais (R$) que há em caixa, conta corrente, conta aplicação, dentre outros.

Na pecuária de corte convencional, seja esta baseada em sistema de Cria (produção/comercialização de bezerros machos aos desmame), Recria (aquisição de bezerros e venda de boi magro – garrotes) ou em Recria/Engorda (aquisição de bezerros(as) e venda de bois/novilhas terminadas), tem-se um grande desafio relativo à evolução do fluxo de caixa. Tal desafio é consequência da concentração de receitas (entrada de recursos monetários) em períodos específicos, frente às saídas de caixa (custos e despesas) que são ao longo de todo o ciclo.

Para exemplificar a situação descrita, pode-se utilizar como modelo uma fazenda de cria. As propriedades situadas na região centro-oeste, que trabalham com a produção e comercialização de bezerros, têm a desmama de seus produtos (safra) iniciada em maio e finalizada entre agosto e setembro. Desta forma, a entrada do maior volume de capital tende a concentrar-se entre os meses de julho e setembro. Outra fonte básica de recursos monetários neste sistema de produção são as vacas e novilhas de descarte vazias da estação de monta. As vacas adultas, normalmente, são comercializadas na primeira metade do período chuvoso (momento no qual adquirem peso suficiente para o abate). Já as novilhas, caso apresentem condições (peso) para abate ao final da estação de monta irão gerar receita neste momento, caso contrário, seguirão o mesmo padrão das vacas. A partir deste exemplo, pode-se concluir que as receitas financeiras no sistema de cria estão situadas entre dois ou três momentos do ciclo de produção. A seguir consta um modelo de gráfico exemplificando as relações entre entradas, saídas e saldo de caixa ao longo do ciclo produtivo de uma propriedade de Cria.

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O objetivo do gráfico acima é ressaltar a dimensão do valor e sentido do saldo mensal relativo ao ciclo produtivo anual de uma fazenda de Cria. É possível perceber que nos meses de janeiro, abril, maio, junho, outubro e novembro, as entradas de caixa não são capazes de suprir as saídas. Desta forma, a propriedade deve trabalhar de modo que os meses de saldo de caixa positivo de caixa possam suprir aqueles que estão em débito. Para isso, é extremamente importante o acompanhamento frequente do saldo acumulado de caixa, pelo qual é possível visualizar a evolução do fluxo de caixa agregando o saldo anterior e, assim, avaliar os momentos críticos ou aqueles em que serão necessárias as devidas injeções de capital. A seguir tem-se o gráfico de saldo de caixa acumulado baseado no exemplo anterior.

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A partir deste gráfico, em que se considerou o saldo inicial igual à zero, é possível visualizar que há necessidade de aportar, aproximadamente, R$ 14.000,00 no mês de junho. Para isso, o gestor deve avaliar a possibilidade de antecipar vendas (bezerros, bezerras excedentes, vacas descarte, dentre outras) ou mesmo captar recursos de outras fontes.

Em função do nível de desafio na gestão do fluxo de caixa em sistemas de produção de pecuária de corte, os gestores devem lançar mão de algumas ferramentas que visam auxiliar os controles de caixa. Dentre estas, destacam-se o acompanhamento das contas a pagar e a receber de acordo com um período pré-determinado (45, 60 ou 90 dias) para que possam atuar como uma agenda financeira da empresa. Esta agenda é de grande importância para análises dentro do fluxo, pois através dela sabe-se quanto e quando a empresa tem suas obrigações e seus direitos.

Segue abaixo um modelo de relatório de Contas a Pagar (agendamentos / previsões):

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A partir dos cadastros/projeções referentes às contas a pagar e a receber é possível traçar uma representação de fluxo de caixa com previsão futura para 60 dias.

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Com os níveis competitivos e de risco atingindo patamares cada vez maiores na pecuária de corte, os proprietários e gestores devem ficar atentos às condições financeiras do negócio. Um foco grande deve ser direcionado à gestão do fluxo de caixa para que não haja surpresas indesejadas como, por exemplo, antecipações de venda ou vendas de urgência, que possam prejudicar o andamento do ciclo ou da atividade produtiva.