Revista feed&food - A realidade da pecuária leiteira no brasil

Confira a reportagem da edição de maio, da Revista Feed feed&food sobre o IILB - "Com a missão de gerar dados realistas sobre a produção no país, o Índice Ideagri do Leite Brasileiro mostra que a gestão profissional precisa de técnicas, metodologias e novas tecnologias - mas, não é refém de altos investimentos e está cada vez mais acessível". Por Natália Ponse.

A maior parte dos empresários já ouviu falar em benchmarking, um processo de busca e comparação entre negócios com mesmas atividades fins, com o objetivo de gerar referências de boas práticas, processos, produtos e serviços superiores aos praticados no mercado, com potencial de evolução de determinada atividade. O foco do benchmarking é aprimorar processos, desempenho e resultados, gerar mais qualidade, agregar valor, competitividade e crescimento a um negócio ou setor.

Na pecuária de leite não é diferente. Como qualquer outro, este negócio necessita de uma gestão financeira e zootécnica criteriosa que, hoje, já conta com diversas tecnologias e metodologias acessíveis, de baixo custo e agregadoras de assertividade, eficiência e melhores resultados aos processos nas fazendas. Estar atento às práticas de gestão e aos resultados de outras propriedades é uma forma de se manter competitivo e sustentável no mercado.

Até pouco tempo, o produtor brasileiro estava carente de métricas nacionais aplicáveis no campo que mostrassem, na prática, possibilidades de mudanças para aumentar a produtividade e a lucratividade. Até então, as referências eram os indicadores norte-americanos. Porém, não havia um entendimento real sobre o que devia ser aprimorado da porteira para dentro, deixando de levar em conta questões cruciais como qualidade do controle e gestão zootécnica, região, perfis de rebanho, indicadores de produção, reprodução, sanidade, e outros aspectos.

“Além disso, os levantamentos acabam por englobar fazendas cujos negócios abrangem mais de uma atividade além da leiteira. São detalhes que comprometem um desenho real de como é a produção de leite no Brasil e de qual é o verdadeiro potencial de aprimoramento e crescimento da atividade no País”, conta Heloise Duarte, CEO da Ideagri, agtech especializada em “software como serviço” (Software as a Service - SaaS) voltada para a gestão completa das fazendas de pecuárias de leite e corte.

Entendendo que a produtividade está muito mais ligada à forma de gestão do rebanho do que ao tamanho dele, e pautando-se na carência do cenário brasileiro sobre métricas reais, o Ideagri e o Rehagro desenvolveram o Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB). O índice unificado, com nota de 0 a 10 calculada com base em 12 indicadores que abrangem três áreas relevantes para a gestão zootécnica do rebanho (produção, reprodução e recria), reúne informações que, se bem geridas e monitoradas, permitem ajustes de manejo, causando aumento da produtividade e da lucratividade da fazenda.

“O IILB nos mostrou isso na primeira edição por meio de uma leitura mais precisa sobre um perfil de produtor muito importante da pecuária leiteira nacional: as fazendas de profissionais, as quais medem e acompanham indicadores”, conta Heloise, também diretora geral do projeto. Ela menciona alguns dados de instituições, como da Embrapa, mostrando que 78% da produção vem de 23% das fazendas de leite do País. “Somadas, elas representam 170 mil matrizes, com montante acumulado de 830 milhões de litros em 2018 – 2,5% do volume brasileiro (tomando como referência pesquisa do IBGE de 2017). Esse número de matrizes corresponde a 0,56% do total nacional. Porém, a produtividade anual por matriz dos rebanhos qualificados no IILB é cerca de 4,5 vezes maior que a média nacional. Se compararmos com os rebanhos top 10% do IILB, essa produtividade é 5,5 vezes superior se comparado à média nacional”.

Nesta primeira edição do IILB houve uma amostra de 600 fazendas, responsáveis por enviar periodicamente os dados para a nuvem. “Temos como referência o que os produtores profissionais fazem dentro do nosso território de atuação, e não aquilo feito pela maioria. Ser profissional não significa, necessariamente, ter o maior rebanho ou maior disponibilidade de recursos financeiros para investimentos”, justifica a diretora geral do índice.

A média na primeira edição do IILB foi de 3,97 pontos. A fazenda mais produtiva entre as 600 analisadas foi a Fazenda Cobiça, de Três Corações (MG), que com 2.050 animais leiteiros, dos quais 950 em lactação, atingiu 8,88 pontos. “Isso mostra que ainda existe muito para ser feito dentro da porteira para aprimorar a gestão zootécnica do rebanho e conquistar mais produtividade e lucratividade”, diz Heloise, complementando: “A ideia do IILB é mostrar isso em cada região, ou seja, dar ao produtor de leite referências no seu território de atuação e entre rebanhos de mesmo perfil racial”.

Os dados do IILB, por indicador-chave, podem ser acessados no site iilb.com. br. Além das informações abertas para o público em geral, o cliente da Ideagri poderá, por meio de seu cadastro, acessar os números do IILB e fazer comparações diretas e instantâneas com seus próprios indicadores. As informações individuais das fazendas são sigilosas e só são acessadas pelos proprietários dos cadastros.

A tendência, de acordo com a diretorageral, é que o IILB cresça em volume de dados, pois seu lançamento tem motivado usuários a serem mais criteriosos no registro das métricas. “Com isso, teremos um maior volume de dados qualificados, ampliando o cenário para o benchmarking de fazendas no mercado e, também, a geração de novos indicadores e categorias que, por sua vez, vão fomentar análises mais aprofundadas, reais e assertivas”, finaliza Heloise Duarte. 

 

Heloise

Cobiça

Fotos da Fazenda Cobiça (Lemes Fotografia)

 

Natália Ponse, Revista feed&food - Edição de maio de 2019
natalia@ciasullieditores.com.br

 

O acesso à plataforma www.iilb.com.br pode ser feito de forma gratuita, por qualquer pessoa interessada nas análises.

Para conferir o boletim completo e fazer seu cadastro, clique aqui, acesse o site www.iilb.com.br e bom proveito!